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Epidemiol Serv Saude
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ress
Epidemiologia e Serviços de Saúde : Revista do Sistema Unico de Saúde do Brasil
1679-4974
2237-9622
Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde do Brasil

35239922
00302
10.1590/S1679-49742022000100008
Artigo Original
Prevalência sorológica de infecção por SARS-CoV-2 entre trabalhadores do sistema prisional do Espírito Santo, 2020
Prevalencia serológica de la infección por SARS-CoV-2 entre los trabajadores del sistema penitenciario en Espírito Santo, Brasil, 2020Serological prevalence of SARS-CoV-2 infection among prison system workers in the state of Espírito Santo, Brazil, 2020https://orcid.org/0000-0002-2353-3526
Duque Camila Leal Cravo 1
https://orcid.org/0000-0002-6246-3559
Macedo Laylla Ribeiro 2
https://orcid.org/0000-0003-4826-3355
Maciel Ethel Leonor Noia 2
https://orcid.org/0000-0002-6208-1585
Tristão-Sá Ricardo 3
https://orcid.org/0000-0002-6408-1124
Bianchi Erika do Nascimento 1
https://orcid.org/0000-0001-8698-5768
da Silva Adriana Ilha 2
https://orcid.org/0000-0002-3580-8937
Jabor Pablo Medeiros 4
https://orcid.org/0000-0003-3301-6052
Gomes Cristiana Costa 5
https://orcid.org/0000-0002-0140-7078
Cardoso Orlei Amaral 5
https://orcid.org/0000-0002-2643-5219
Lira Pablo 6
https://orcid.org/0000-0002-8886-983X
Zanotti Raphael Lubiana 5
https://orcid.org/0000-0003-0299-5227
Magno Silvânio José de Souza Filho 7
https://orcid.org/0000-0001-5160-3280
Zandonade Eliana 8
1 Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, Diretoria de Saúde do Sistema Penal, Vitória, ES, Brasil Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo Diretoria de Saúde do Sistema Penal Vitória ES Brasil
2 Universidade Federal do Espírito Santo, Laboratório de Epidemiologia, Vitória, ES, Brasil Universidade Federal do Espírito Santo Universidade Federal do Espírito Santo Laboratório de Epidemiologia Vitória ES Brazil
3 Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Medicina Social, Vitória, ES, Brasil Universidade Federal do Espírito Santo Universidade Federal do Espírito Santo Departamento de Medicina Social Vitória ES Brazil
4 Instituto Jones dos Santos Neves, Coordenação de Geoespacialização, Vitória, ES, Brasil Instituto Jones dos Santos Neves Coordenação de Geoespacialização Vitória ES Brasil
5 Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, Subsecretaria de Estado de Vigilância em Saúde, Vitória, ES, Brasil Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo Subsecretaria de Estado de Vigilância em Saúde Vitória ES Brasil
6 Instituto Jones dos Santos Neves, Diretoria de Integração e Projetos Especiais, Vitória, ES, Brasil Instituto Jones dos Santos Neves Diretoria de Integração e Projetos Especiais Vitória ES Brasil
7 Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, Subsecretaria de Planejamento e Controle, Vitória, ES, Brasil Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo Subsecretaria de Planejamento e Controle Vitória ES Brasil
8 Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Estatística, Vitória, ES, Brasil Universidade Federal do Espírito Santo Universidade Federal do Espírito Santo Departamento de Estatística Vitória ES Brazil
Correspondência: Ethel Leonor Noia Maciel E-mail: ethel.maciel@gmail.com
CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Duque CLC, Macedo LR, Bianchi EN e Silva AI contribuíram na interpretação dos dados do trabalho e elaboração das versões preliminares. Maciel ELN e Sá RT contribuíram na concepção ou desenho do estudo, e na revisão crítica de importante conteúdo intelectual. Jabor PM, Gomes CC, Cardoso OA, Lira P, Magno Filho SJS e Zanotti RL contribuíram na aquisição dos dados do trabalho e elaboração das versões preliminares. Zandonade E contribuiu na concepção ou desenho do estudo, análise dos dados do trabalho e revisão crítica de importante conteúdo intelectual. Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito e declaram-se responsáveis por todos os aspectos do trabalho.

CONFLITOS DE INTERESSE: Os autores declararam não haver conflitos de interesse.

Editora associada: Doroteia Aparecida Höfelmann - https://orcid.org/0000-0003-1046-3319

28 2 2022
2022
31 1 e202149502 6 2021
05 12 2021
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons
Resumo

Objetivo:

Estimar a prevalência de infecção por SARS-CoV-2 entre trabalhadores do sistema prisional do Espírito Santo, Brasil, no período agosto-setembro de 2020.

Métodos:

Inquérito em amostra estratificada, mediante entrevistas e testes sorológicos para SARS-CoV-2.

Resultados:

Nos 986 pesquisados, a prevalência sorológica de infecção por SARS-CoV-2 foi de 11,9% (IC95% 8,1%;15,7%) nos profissionais de saúde, e de 22,1% (IC95% 18,8%;25,3%) nos agentes penitenciários. A positividade foi mais frequente nos profissionais da saúde do norte do estado (19,7%) e em agentes penitenciários do sexo masculino (24,0%). Entre soropositivos, a fadiga foi o sintoma mais frequente nos agentes penitenciários (13,4%), e a mialgia, nos profissionais de saúde (10,8%); e as comorbidades mais prevalentes entre os positivos foram asma ou bronquite (16,2%), para profissionais de saúde, e hipertensão para agentes penitenciários (12,8%).

Conclusão:

A prevalência sorológica de SARS-Cov-2 foi maior nos agentes penitenciários, achado que deve subsidiar ações de controle e prevenção da doença nesse cenário.

Abstract

Objective:

To estimate the serological prevalence of SARS-CoV-2 infection among prison system workers in the state of Espírito Santo, Brazil, between August-September 2020.

Methods:

This was a stratified sample survey, using interviews and serological tests for SARS-CoV-2.

Results:

Among the 986 interviewers, the serological prevalence of SARS-CoV-2 infection was 11.9% (95%CI 8.1%;15.7%) in health professionals, and 22.1% (95%CI 18.8%;25.3%) in prison officers. Positivity was more frequent among health professionals in the north of the state (19.7%) and in male prison officers (24.0%). Among seropositive individuals, fatigue was the most frequent symptom in prison agents (13.4%) and myalgia in health professionals (10.8%); and the most prevalent comorbidities among the seropositive individuals were asthma or bronchitis (16.2%), in health professionals, and hypertension in prison officers (12.8%).

Conclusion:

The serological prevalence of SARS-Cov-2 infection was higher in prison officers, a finding that can support disease control and prevention actions in this scenario.

Resumen

Objetivo:

Estimar la prevalencia serológica de la infección por SARS-CoV-2 en trabajadores del sistema penitenciario de Espírito Santo, Brasil, entre agosto y setiembre de 2020.

Métodos:

Encuesta muestral estratificada mediante entrevistas y pruebas serológicas para SARS-CoV-2.

Resultados:

En los 986 encuestados, la prevalencia serológica de la infección por SARS-CoV-2 fue del 11,9% (IC95% 8,1%;15,7%) entre los profesionales de la salud y del 22,1% (IC95% 18,8%;25,3%) entre los funcionarios de prisiones. La positividad fue más frecuente en los profesionales de la salud de la Región Norte (19,7%) y en los funcionarios de prisiones varones (24,0%). Entre los positivos, la fatiga fue el síntoma más frecuente entre los funcionarios de prisiones (13,4%) y la mialgia entre los profesionales de la salud (10,8%); y las comorbilidades más prevalentes entre las positivas fueron: asma o bronquitis (16,2%) para los profesionales de la salud e hipertensión para los funcionarios de prisiones (12,8%).

Conclusión:

La prevalencia serológica del SARS-Cov-2 fue mayor en los funcionarios de prisiones, apoyando las acciones de control y prevención de enfermedades en este escenario.

Palavras-chave:

Prevalência
Infecções por Coronavírus
Prisões
Saúde do Trabalhador
Estudos Transversais
Keywords:

Prevalence
Coronavirus Infections
Prisons
Occupational Health
Cross-Sectional Studies.
Palabras-clave:

Prevalencia
Infecciones por Coronavirus
Prisiones
Salud Laboral
Estudios Transversales
==== Body
pmcINTRODUÇÃO

Contribuições do estudo	
Principais resultados	Nos 986 trabalhadores do sistema prisional do Espírito Santo pesquisados, a prevalência sorológica de infecção por SARS-CoV-2 foi 11,9% (IC95% 8,1%;15,7%) nos profissionais de saúde, e 22,1% (IC95% 18,8%;25,3%) nos agentes penitenciários.	
Implicações para os serviços	O conhecimento dos indicadores sorológicos relacionados aos trabalhadores do ambiente prisional oportuniza aos gestores dessas instituições o direcionamento e a qualificação de ações com vistas ao enfretamento da pandemia da COVID-19.	
Perspectivas	Reflexões sobre as fragilidades do sistema penal podem contribuir para a melhoria das condições sanitárias observadas nos espaços prisionais, evidenciando a necessidade de zelar pela manutenção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores desses ambientes.	

Após um ano da declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) de reconhecimento da pandemia de COVID-19, em março de 2020, observa-se que alguns grupos populacionais, a exemplo de negros e indivíduos com menores renda e escolaridade, têm-se mostrado mais vulneráveis aos óbitos pelo SARS-CoV-2.1,2

Além disso, indivíduos em ambientes confinados e com potencial aglomeração de pessoas estão mais expostos ao contágio e à disseminação do vírus.3 Nesse sentido, o ambiente prisional oferece condições que, potencialmente, facilitam a propagação da COVID-19,3 haja vista a precária situação em que se encontram as instituições penais brasileiras, descritas como ambientes malconservados, com pouca ou nenhuma ventilação, além do problema crônico de superlotação.4

Os dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), mostram que não somente a população privada de liberdade (PPL) tem sido apontada como um grupo mais vulnerável ao acometimento da COVID-19, senão também os trabalhadores lotados nesses espaços, como profissionais de saúde; e de segurança, como agentes penitenciários e administrativos.5

Até o dia 22 de fevereiro de 2021, foram realizados 62.459 testes e diagnosticados 15.450 casos de COVID-19 em servidores do sistema prisional brasileiro, dos quais 112 chegaram a óbito. Entre as Unidades da Federação, São Paulo foi o estado que contabilizou maior número de casos (2.751), enquanto o Rio Grande do Sul teve a menor ocorrência.13 A região Sul do Brasil apresentou o menor percentual de óbitos relacionados à doença, 5,4%, e a região Sudeste respondeu por 46,6% das mortes por COVID-19 no país. No estado do Espírito Santo, região Sudeste, 835 casos em trabalhadores do sistema prisional e três óbitos pela doença haviam sido notificados até aquela data.5

Um estudo internacional sobre dados do Projeto COVID nas Prisões, referentes ao período entre abril de 2020 e janeiro de 2021, mostrou que a taxa de casos de COVID-19 nos funcionários dessas instituições foi superior àquela encontrada para a população geral, e próxima à observada na PPL dos países estudados.6

Dessa forma, torna-se de extrema importância conhecer essa realidade, para que as instituições de saúde e/ou segurança planejem estratégias visando controlar a transmissão da COVID-19 nesses ambientes e, consequentemente, proteger a saúde de pessoas privadas de liberdade, servidores penitenciários, profissionais de saúde, advogados ou profissionais da Justiça, ou qualquer indivíduo que ingresse nas unidades prisionais, além da comunidade geral.7

Este estudo teve por objetivo estimar a prevalência sorológica de infecção por SARS-CoV-2 entre trabalhadores do sistema prisional do estado do Espírito Santo, Brasil.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal, realizado a partir de um inquérito de base populacional,8 com amostragem por cotas, em unidades prisionais do Espítiro Santo, estratificada de acordo com as categorias de trabalhadores ‘profissionais de saúde’ e ‘agentes penitenciários’.

O estudo foi realizado entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro de 2020, e teve como população-alvo trabalhadores das 34 unidades prisionais do Espírito Santo, distribuídas em 13 munícipios do estado. Nessas unidades, atuavam 441 profissionais de saúde e 3.101 agentes penitenciários.

Para o cálculo da amostra, considerou-se o tamanho das populações descritas, uma prevalência esperada de COVID-19 de 10%, erro amostral de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 5%. Os tamanhos mínimos definidos para a amostra foram de 293 profissionais da saúde e 667 agentes penitenciários, calculados proporcionalmente ao número de profissionais da saúde e agentes penitenciários de cada unidade prisional.

Uma semana antes do início da pesquisa, a partir de uma lista fornecida pela Administração do Sistema Prisional do Espírito Santo, realizou-se um sorteio aleatório dos nomes que fariam parte da pesquisa, considerando-se as duas categorias de trabalhadores. Nessa etapa do processo, incluiu-se em torno de 40% de participantes a mais, visando compensar eventuais faltas ou licenças, ou alternância de turnos de trabalho.

Foi desenvolvido um aplicativo no software Plataforma ArcGIS Online, para ser instalado em aparelhos celulares e utilizado de forma completamente offline, o que possibilitou a coleta de dados no interior das unidades prisionais. No final de cada dia de aplicação, os aparelhos eram conectados à internet e a equipe técnica recebia, imediatamente, o pacote de dados coletados naquela jornada.

Foi desenvolvido um painel de acompanhamento da pesquisa para cada uma das unidades prisionais, de modo a se monitorar quais unidades estavam próximas ou já haviam atingido as metas para cada um dos perfis abordados no inquérito - servidores penitenciários e profissionais da saúde do sistema prisional do estado.

Os entrevistadores foram treinados na execução do exame, que foi realizado com amostra de sangue colhida por punção digital. Utilizou-se o teste rápido imunocromatográfico de anticorpo, IgM e IgG, da marca MedLevensohn, com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no 80560310056. O resultado foi computado a partir da observação dos marcadores, após o devido tempo indicado pelo fabricante. No caso de dúvidas de leitura, os testes foram repetidos e encaminhados para a equipe médica responsável pela pesquisa. Considerou-se o teste positivo - IgG ou IgM-; contudo, a informação relativa a qual dos dois marcadores teve resultado positivo não estava disponível para os autores.

A equipe de entrevistadores recebeu todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) recomendados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uma situação de possível contato com pessoas portadoras de COVID-19, além de outros materiais necessários, como telefones celulares e álcool, e demais equipamentos utilizados no inquérito sorológico, fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo.

Além da testagem para COVID-19, foram colhidas informações dos participantes mediante entrevista com perguntas fechadas, realizada face a face. Para tanto, foram selecionadas e categorizadas as seguintes variáveis:

sexo (masculino; feminino);

faixa etária (em anos: até 30; 31 a 40; 41 a 50; 51 e mais);

escolaridade (ensino médio completo; ensino superior incompleto; ensino superior completo; mestrado);

raça/cor da pele (amarela; branca; indígena; parda; preta);

número de sintomas de COVID-19 nos últimos 15 dias (nenhum; 1; 2; 3 ou mais);

acesso ao serviço de saúde nos últimos 15 dias (não; sim);

hábito de higienização das mãos (não; sim);

utilização de transporte público para deslocamento ao trabalho (não; sim);

frequência de utilização diária de transporte público para deslocamento ao trabalho (não utiliza; até 3 vezes; 4 vezes ou mais);

tempo médio gasto com o deslocamento diário em transporte público (não utiliza; menos de 30 minutos; entre 30 e 60 minutos; mais de 60 minutos); e

carga horária de trabalho (em horas: 20; 30; 40).

As informações foram armazenadas em um banco de dados, e a análise estatística realizada utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0. Foram estimadas as prevalências, e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). As diferenças entre as variáveis de exposição e a soropositividade por COVID-19, estratificadas para profissionais de saúde e agentes penitenciários, foram analisadas utilizando-se o teste qui-quadrado de Pearson, ou o teste exato de Fisher quando apropriado. O nível de significância adotado foi de 5%.

Todos os indivíduos selecionados para a amostra do inquérito nas unidades prisionais foram informados sobre os objetivos do estudo, riscos e benefícios implicados, acompanhados de aconselhamento sobre medidas preventivas. O material para sorologia e as informações foram coletados após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos participantes. Todos os indivíduos testados receberam a informação do resultado do teste alguns minutos após sua realização. Os casos positivos foram notificados e encaminhados ao Serviço Municipal de Saúde, para avaliação clínica. Todas as medidas de biossegurança foram tomadas, de maneira a garantir a saúde dos trabalhadores de campo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (CEP/CCS/UFES): Parecer no 4.209.127, emitido em 12 de agosto de 2020.

RESULTADOS

Foram pesquisados 986 trabalhadores do sistema prisional do Espírito Santo: 311 profissionais de saúde e 675 agentes penitenciários. Não houve recusas desses profissionais à participação no estudo.

Os profissionais de saúde participantes atuavam, em sua maioria, em presídios localizados na região metropolitana de Vitória (61,7%), com regime de prisão fechado (90,7%), eram do sexo feminino (76,8%), da faixa etária entre 31 e 40 anos (41,3%), possuíam ensino superior completo (43,5%) e se declararam de raça/cor da pele parda (44,8%). Entre os agentes penitenciários, a maior parte atuava em unidades prisionais da mesma região metropolitana de Vitória (59,4%), com regime de prisão fechado (89,5%), eram do sexo masculino (76,1%), da faixa etária entre 31 e 40 anos (54,8%), possuíam ensino superior completo (45,5%) e se declararam de raça/cor da pele parda (49,9%) (Tabela 1).

Tabela 1 - Distribuição das características sociodemográficas de profissionais de saúde e agentes penitenciários, segundo o resultado do teste rápido para SARS-CoV-2, Espírito Santo, 2020

Variável	Categoria	Profissional de saúde N=311a	Agente penitenciário N=675a	
Positivo	Negativo	Total	p-valorb	Positivo	Negativo	Total	p-valorb	
n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	
Localização do presídio (região)	
	Metropolitana	14 (7,3)	178 (92,7)	192 (61,7)	0,006	86 (21,4)	315 (78,6)	401 (59,4)	0,178	
Norte	18 (19,7)	73 (80,3)	91 (29,3)		50 (25,9)	143 (74,1)	193 (28,6)		
Sul	5 (17,9)	23 (82,1)	28 (9,0)		13 (16,0)	68 (84,0)	81 (12,0)		
Regime de prisão	
	Fechado	35 (12,4)	247 (87,6)	282 (90,7)	0,382c	139 (23,0)	465 (77,0)	604 (89,5)	0,086	
	Aberto	2 (6,9)	27 (93,1)	29 (9,3)		10 (14,1)	61 (85,9)	71 (10,5)		
Sexo	
	Feminino	31 (13,0)	208 (87,0)	239 (76,8)	0,287	24 (15,0)	136 (85,0)	160 (23,9)	0,022	
Masculino	6 (8,3)	66 (91,7)	72 (23,2)		123 (24,0)	388 (76,0)	511 (76,1)		
Faixa etária (em anos)	
	≤30	13 (11,3)	102 (88,7)	115 (37,1)	0,543c	9 (19,1)	38 (80,9)	47 (7,0)	0,665	
31-40	14 (10,9)	114 (89,1)	128 (41,3)		77 (20,9)	292 (79,1)	369 (54,8)		
41-50	9 (17,7)	42 (82,3)	51 (16,4)		50 (24,0)	158 (76,0)	208 (30,9)		
≥51	1 (6,3)	15 (93,7)	16 (5,2)		13 (26,5)	36 (73,5)	49 (7,3)		
Escolaridade	
	Ensino médio completo	11 (20,0)	44 (80,0)	55 (17,8)	0,012c	52 (28,7)	129 (71,3)	181 (26,9)	0,025	
Ensino superior incompleto	3 (15,8)	16 (84,2)	19 (6,1)		15 (16,3)	77 (83,7)	92 (13,6)		
Ensino superior completo	14 (10,4)	121 (89,6)	135 (43,5)		64 (20,9)	243 (79,1)	307 (45,5)		
Mestrado	8 (7,9)	93 (92,1)	101 (32,6)		17 (18,1)	77 (81,9)	94 (14,0)		
Raça/cor da pele	
	Amarela	1 (33,3)	2 (66,7)	3 (1,0)	0,022c	(0,0)	4 (100,0)	4 (0,6)	0,472c	
Branca	7 (5,5)	120 (94,5)	127 (41,0)		45 (20,1)	179 (79,9)	224 (33,2)		
Indígena	(0,0)	(0,0)	(0,0)		(0,0)	4 (100,0)	4 (0,6)		
Parda	25 (18,0)	114 (82,0)	139 (44,8)		81 (24,0)	256 (76,0)	337 (49,9)		
Preta	4 (9,7)	37 (90,3)	41 (13,2)		23 (21,7)	83 (78,3)	106 (15,7)		
a) Total de entrevistados; esse total pode diferir para algumas variáveis, devido a não resposta dos participantes; b) teste qui-quadrado de Pearson; c) teste exato de Fisher.

A prevalência de casos positivos foi de 11,9% (IC95% 8,1%;15,7%) entre os profissionais de saúde, e de 22,1% (IC95% 18,8%;25,3%) entre os agentes penitenciários.

Os casos positivos para SARS-CoV-2 foram mais frequentes nos profissionais de saúde da região norte do Espírito Santo (19,7%) e nos agentes penitenciários do sexo masculino (24,0%). Em ambos os grupos de profissionais, o desfecho mostrou-se associado a menor escolaridade (ensino médio completo) (Tabela 1).

A maioria dos profissionais de saúde e dos agentes penitenciários não apresentou sintomas (67,5% dos profissionais de saúde e 64,9% dos agentes penitenciários) e não havia procurado atendimento em serviços de saúde nos últimos 15 dias (77,5% dos profissionais de saúde e 83,8% dos agentes penitenciários), não apresentavam comorbidades (73,6% dos profissionais de saúde e 77,8% dos agentes penitenciários), relataram hábito de higienizar as mãos (99,0% dos profissionais de saúde e 98,2% dos agentes penitenciários), não utilizavam transporte público para deslocamento ao trabalho (61,0% dos profissionais de saúde e 90,1% dos agentes penitenciários) e possuíam carga horária de trabalho semanal de 40 horas (48,7% dos profissionais de saúde e 94,3% dos agentes penitenciários) (Tabela 2).

Tabela 2 - Distribuição do número de sintomas, comorbidades, procura por serviço de saúde e hábito de lavar as mãos, entre profissionais de saúde e agentes penitenciários, segundo o resultado do teste rápido para SARS-CoV-2, Espírito Santo, 2020

Variável	Categoria	Profissional de saúde N=311a	Agente penitenciário N=675a	
Positivo	Negativo	Total	p-valorb	Positivo	Negativo	Total	p-valorb	
n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	
Número de sintomas nos últimos 15 dias	
	Nenhum	24 (11,4)	186 (88,6)	210 (67,5)	0,342c	89 (20,3)	349 (79,7)	438 (64,9)	0,026	
1	7 (17,9)	32 (82,1)	39 (12,5)		20 (17,4)	95 (82,6)	115 (17,0)		
2	1 (3,6)	27 (96,4)	28 (9,0)		15 (32,6)	31 (67,4)	46 (6,8)		
3	1 (7,7)	12 (92,3)	13 (4,2)		10 (28,6)	25 (71,4)	35 (5,2)		
≥4	4 (19,1)	17 (80,9)	21 (6,8)		15 (36,6)	26 (63,4)	41 (6,1)		
Acesso ao serviço de saúde nos últimos 15 dias	
	Não	30 (12,6)	208 (87,4)	238 (77,5)	0,580	126 (22,3)	439 (77,7)	565 (83,8)	0,782	
Sim	7 (10,1)	62 (89,9)	69 (22,5)		23 (21,1)	86 (78,9)	109 (16,2)		
Número de comorbidades	
	Nenhuma	23 (10,1)	206 (89,9)	229 (73,6)	0,150c	117 (22,3)	408 (77,7)	525 (77,8)	0,972c	
1	12 (18,8)	52 (81,2)	64 (20,6)		25 (21,4)	92 (78,6)	117 (17,3)		
	2	1 (6,7)	14 (93,3)	15 (4,8)		5 (21,7)	18 (78,3)	23 (3,4)		
3	1 (33,3)	2 (67,7)	3 (1,0)		1 (14,3)	6 (85,7)	7 (1,0)		
≥4	- (0,0)	- (0,0)	- (0,0)		1 (33,3)	2 (66,7)	3 (0,5)		
Hábito de higienização das mãos	
	Não	- (0,0)	3 (100,0)	3 (1,0)	0,521c	1 (8,3)	11 (91,7)	12 (1,8)	0,247c	
Sim	37 (12,1)	269 (87,9)	306 (99,0)		148 (22,3)	515 (77,7)	663 (98,2)		
Utilização de transporte público para o deslocamento ao trabalho	
	Não	24 (12,7)	165 (87,3)	189 (61,0)	0,817	130 (21,4)	477 (78,6)	607 (90,1)	0,101	
Sim	13 (10,7)	108 (89,3)	121 (39,0)		18 (26,9)	49 (73,1)	67 (9,9)		
Frequência de utilização diária de transporte público para deslocamento ao trabalho	
	Não utiliza	24 (12,6)	166 (87,4)	190 (61,1)	0,812c	131 (21,6)	477 (78,4)	608 (90,1)	0,178	
4 vezes ou mais	10 (11,5)	77 (88,5)	87 (28,0)		9 (20,9)	34 (79,1)	43 (6,4)		
Até 3 vezes	3 (8,8)	31 (91,2)	34 (10,9)		9 (37,5)	15 (62,5)	24 (3,5)		
Tempo médio com o deslocamento diário em transporte público	
	Não utiliza	24 (12,6)	166 (87,4)	190 (61,1)	0,641c	131 (21,6)	477 (78,4)	608 (90,1)	0,506c	
Menos de 30 min.	1 (6,7)	14 (93,3)	15 (4,8)		3 (37,5)	5 (62,5)	8 (1,2)		
Entre 30 e 60 min.	3 (7,1)	39 (92,9)	42 (13,5)		5 (20,0)	20 (80,0)	25 (3,7)		
Mais de 60 min.	9 (14,1)	55 (85,9)	64 (20,6)		10 (29,4)	24 (70,6)	34 (5,0)		
Carga horária de trabalho semanal	
	20 horas	5 (12,2)	36 (87,8)	41 (13,2)	0,285	14 (63,6)	8 (36,4)	22 (3,3)	0,001	
30 horas	9 (7,6)	109 (92,4)	118 (38,1)		5 (31,3)	11 (68,7)	16 (2,4)		
40 horas	23 (15,2)	128 (84,8)	151 (48,7)		130 (20,4)	506 (79,6)	636 (94,3)		
a) Total de entrevistados; esse total pode diferir para algumas variáveis, devido a não resposta dos participantes; b) teste qui-quadrado de Pearson; c) teste exato de Fisher.

Entre os agentes penitenciários, os casos positivos para SARS-CoV-2 foram mais frequentes nos indivíduos que apresentaram um sintoma (13,4%), embora 59,7% dos agentes testados com resultado positivo para SARS-Cov-2 não tenham apresentado sintomas. Entre os profissionais de saúde com resultado positivo para o teste, 64,9% não relataram sintomas de COVID-19. Nos agentes penitenciários, observou-se maior proporção de resultados positivos entre os trabalhadores com turnos de 20 horas (63,6%), comparados aos demais regimes de horário de trabalho: 31,3% para 30 horas e 20,4% para 40 horas (p=0,001) (Tabela 2).

Para os trabalhadores que apresentaram resultado do teste positivo, no grupo de profissionais de saúde, o sintoma mais prevalente foi mialgia (10,8%), enquanto para o grupo dos agentes penitenciários foram fadiga (13,4%) e mialgia (12,2%). A positividade do teste mostrou-se associada à presença de palpitação no grupo dos profissionais de saúde (p=0,024), enquanto, nos agentes penitenciários, essa associação esteve associada à presença dos sintomas de anosmia (p=0,021), fadiga (p=0,002) e palpitação (p=0,014) (Figura 1).

Figura 1 - Distribuição dos sintomas entre profissionais de saúde e agentes penitenciários (n=37 profissionais de saúde e 149 agentes penitenciários) com teste positivo para SARS-CoV-2, Espírito Santo, 2020

Legenda: p-ap = p-valor - agentes penitenciários; p-ps = p-valor - profissionais de saúde.

A Figura 2 apresenta as comorbidades referidas pelos profissionais de saúde e agentes penitenciários, entre aqueles com resultados positivos para o teste. Nos profissionais de saúde, a distribuição de comorbidades variou de nenhum caso de doença renal, tuberculose e câncer, a 16,2% para asma ou bronquite. Entre os agentes penitenciários, essa distribuição variou de 0,7%, para doença renal e tuberculose, a 12,8% para hipertensão. Finalmente, entre os profissionais de saúde, a presença da doença cardíaca mostrou-se associada à positividade do teste (p=0,006).

Figura 2 - Distribuição das comorbidades entre profissionais de saúde e agentes penitenciários (n=37 profissionais de saúde e 149 agentes penitenciários) com teste positivo para SARS-CoV-2, Espírito Santo, 2020

Legenda: p-ap = p-valor - agentes penitenciários; p-ps = p-valor - profissionais de saúde.

DISCUSSÃO

Nos trabalhadores do sistema prisional pesquisados, a prevalência sorológica de infecção por SARS-CoV-2 foi de 11,9% nos profissionais de saúde, e de 22,1% nos agentes penitenciários. Dados do Depen revelam que 24,7% dos testes realizados em servidores prisionais de todo o Brasil apresentaram resultado positivo,5 indicando uma pequena diferença em relação aos dados nacionais.

Dados divulgados e coletados pelo CNJ até o final do mês de setembro de 2020 mostram que a taxa de contaminação pelo SARS-CoV-2 entre servidores do sistema prisional do país foi três vezes superior àquela verificada na população geral, haja vista esse grupo contar, registrados, 7.694,5 casos por 100 mil profissionais, enquanto, na população geral, foram contabilizados 2.258,2 casos por 100 mil habitantes. No mesmo período, a taxa de contaminação entre a PPL foi de 3.774,4 casos por 100 mil presos.9

Um estudo realizado com 1.163 trabalhadores de serviços de emergência de Porto Alegre/RS, mostrou uma prevalência de mais de 80% de exposição ao SARS-CoV-2, e uma produção de anticorpos de 5,5% - 1,6 vez superior à proporção de anticorpos produzidos na população do município.10

Uma pesquisa em andamento, sobre dados atualizados em 30 de agosto de 2021, com profissionais de saúde que atuam na assistência à COVID-19 nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, Fortaleza, Belém, São Paulo e Recife, mostrou que 40,5% desses profissionais apresentaram infecção por COVID-19, e 35,3%, sintomas psiquiátricos.11

Para os profissionais de enfermagem, as informações coletadas pelo Conselho Federal de Enfermagem, referentes ao intervalo de tempo entre 20 de março e 28 de maio de 2020, revelaram 17.414 casos suspeitos, 5.732 confirmados e 134 óbitos ocorridos naquele período, no Brasil. Sobre as demais características avaliadas, a região Sudeste apresentou o maior número de casos e de óbitos, a faixa etária com mais casos notificados foi a dos 31 aos 40 anos, e a letalidade maior entre os homens.12 São achados que corroboram dados deste estudo, no qual também se observou maior frequência de testes positivos entre os profissionais de saúde da faixa etária de 31 a 40 anos atuantes no sistema prisional.

Um estudo transversal, realizado em um hospital universitário de São Paulo, avaliou a prevalência da infecção por SARS-Cov-2 entre profissionais de saúde sintomáticos, por meio do teste RT-PCR. Os dados apontaram que 42,4% dos profissionais sintomáticos apresentaram resultado positivo.13 Assim como no estudo de São Paulo, a presente pesquisa não encontrou diferença significativa na prevalência de comorbidades entre profissionais com teste positivo ou negativo. Em relação aos sintomas, o mesmo estudo de São Paulo revelou que a anosmia e a dor ocular se apresentaram independentemente associadas à positividade para infecção, enquanto, no presente estudo, anosmia, fadiga e palpitação mostraram-se significantes.

Em março de 2020, a OMS publicou um guia intitulado ‘Preparação, Prevenção e Controle da COVID-19 em prisões e outros locais de detenção’, com o propósito de orientar os países para a tomada de decisões, no que diz respeito ao manejo da COVID-19 nesses ambientes. O documento reforça a importância de cada país se preparar para responder aos possíveis cenários da doença, adaptando-se ao contexto local diante do surgimento dos casos, de maneira a identificar, gerenciar e tratar a doença.14

No Brasil, o CNJ publicou sua Recomendação no 62 de 2020, com medidas preventivas para a propagação da infecção pelo coronavírus nos sistemas de justiça penal e socioeducativo. Ações de desencarceramento e não aprisionamento de indivíduos de grupos de risco (idosos, gestantes e portadores de condições crônicas), ações sanitárias (restrição de visitas, higienização frequente de celas e espaços comuns), triagem das pessoas privadas de liberdade nas entradas das unidades prisionais, bem como de profissionais e visitantes, e isolamento de casos suspeitos ou confirmados, estão entre as principais medidas recomendadas.15,16

Considerando-se ambos os documentos mencionados, a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) elaborou uma cartilha dirigida a gestores e profissionais de saúde do sistema prisional, agregando informações sobre a pandemia da COVID-19 no contexto das instituições de privação de liberdade do Brasil.17 Entre as principais contribuições do documento da Fiocruz, destacam-se: (i) a adoção de mudanças de rotina, como suspensão de visitas e separação de presos idosos e portadores de doenças crônicas; (ii) a testagem precoce de qualquer indivíduo com sintoma compatível com a COVID-19; (iii) a notificação de casos suspeitos com sintomas de síndrome gripal no prazo de 24 horas, com incorporação da PPL e trabalhadores do sistema prisional no sistema de vigilância epidemiológica; e (iv) a manutenção dos profissionais de saúde e de segurança atualizados quanto às normativas de acompanhamento e tratamento dos casos da doença.17,18 A cartilha ainda orienta que, para o cuidado amplo em saúde e atenção psicossocial, seja elaborado, pelos níveis locais, um plano de contingenciamento da COVID-19 que inclua desde estratégias de intervenção até a garantia de cuidados especializados no âmbito do Sistema Único de Saúde.17

A Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo elaborou um Plano de Contingência contra a COVID-19, a ser adotado pelas unidades prisionais do estado, com orientações para identificação, prevenção e enfrentamento da COVID-19 no sistema prisional, estabelecendo diretrizes gerais de prevenção e manejo de casos suspeitos e/ou confirmados. O Plano recomenda, entre outras medidas, a triagem de casos suspeitos para a doença mediante aplicação de um questionário e aferição de temperatura de qualquer pessoa que ingresse no sistema prisional, seja PPL, seja trabalhador ou visitante.19,20

É importante salientar que, assim como o ambiente prisional é insalubre e favorece a disseminação do vírus,4 as condições de trabalho inadequadas dos profissionais contribuem para agravar esse cenário. Em 2019, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo fiscalizou o sistema prisional paulista, responsável pelo maior quantitativo de presos do país,21 e constatou: as unidades prisionais de São Paulo apresentavam uma relação de 9,8 presos para cada agente penitenciário, o dobro do máximo recomendado pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que é o de um agente para cada cinco presos.22 Na ocasião, também se verificou que muitas unidades prisionais não contemplavam uma equipe mínima de saúde (18), conforme as recomendações da Portaria Interministerial do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça nº 1.777/2003,23 e da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional.

Este estudo apresenta limitações, no que tange ao desenho, não sendo possível determinar a causalidade entre as variáveis estudadas e o resultado positivo do teste, assegurar que os fatores de confusão estejam igualmente distribuídos entre os grupos, ou ainda, retratar a realidade do momento em que a pesquisa foi realizada. Outra limitação deste trabalho se encontra na impossibilidade de distinguir se a infecção por SARS-CoV-2 era ativa ou passada, devido ao resultado único para IgG e IgM apresentado pelo teste. Durante a coleta de dados, nenhum trabalhador foi internado por manifestações graves da COVID-19.

Frente a esse cenário, ressalta-se o desafio vivenciado pelos gestores e profissionais de distintas áreas no enfrentamento da pandemia da COVID-19, evidenciando as fragilidades do sistema penal do país. Todos esses aspectos são, ademais, agravados pela situação do sistema prisional brasileiro, que experimenta condições de precariedade, superlotação, desvalorização e insuficiente quantidade de profissionais, além de outros aspectos. Vale destacar que é dever constitucional do Estado garantir a proteção e tutela dos indivíduos sob sua custódia, bem como fornecer condições de trabalho dignas para seus servidores, com o objetivo de zelar pela manutenção da saúde e bem-estar desses cidadãos.

Original Article
Serological prevalence of SARS-CoV-2 infection among prison system workers in the state of Espírito Santo, Brazil, 2020
https://orcid.org/0000-0002-2353-3526
Duque Camila Leal Cravo 1
https://orcid.org/0000-0002-6246-3559
Macedo Laylla Ribeiro 2
https://orcid.org/0000-0003-4826-3355
Maciel Ethel Leonor Noia 2
https://orcid.org/0000-0002-6208-1585
Tristão-Sá Ricardo 3
https://orcid.org/0000-0002-6408-1124
Bianchi Erika do Nascimento 1
https://orcid.org/0000-0001-8698-5768
Silva Adriana Ilha da 2
https://orcid.org/0000-0002-3580-8937
Jabor Pablo Medeiros 4
https://orcid.org/0000-0003-3301-6052
Gomes Cristiana Costa 5
https://orcid.org/0000-0002-0140-7078
Cardoso Orlei Amaral 5
https://orcid.org/0000-0002-2643-5219
Lira Pablo 6
https://orcid.org/0000-0002-8886-983X
Zanotti Raphael Lubiana 5
https://orcid.org/0000-0003-0299-5227
Magno Silvânio José de Souza Filho 7
https://orcid.org/0000-0001-5160-3280
Zandonade Eliana 8
1 Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, Diretoria de Saúde do Sistema Penal, Vitória, ES, Brazil
2 Universidade Federal do Espírito Santo, Laboratório de Epidemiologia, Vitória, ES, Brazil
3 Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Medicina Social, Vitória, ES, Brazil
4 Instituto Jones dos Santos Neves, Coordenação de Geoespacialização, Vitória, ES, Brazil
5 Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, Subsecretaria de Estado de Vigilância em Saúde, Vitória, ES, Brazil
6 Instituto Jones dos Santos Neves, Diretoria de Integração e Projetos Especiais, Vitória, ES, Brazil
7 Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, Subsecretaria de Planejamento e Controle, Vitória, ES, Brazil
8 Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Estatística, Vitória, ES, Brazil
Correspondence: Ethel Leonor Noia Maciel E-mail: ethel.maciel@gmail.com
Abstract

Objective:

To estimate the serological prevalence of SARS-CoV-2 infection among prison system workers in the state of Espírito Santo, Brazil, between August-September 2020.

Methods:

This was a stratified sample survey, using interviews and serological tests for SARS-CoV-2.

Results:

Among the 986 interviewers, the serological prevalence of SARS-CoV-2 infection was 11.9% (95%CI 8.1%;15.7%) in health professionals, and 22.1% (95%CI 18.8%;25.3%) in prison officers. Positivity was more frequent among health professionals in the north of the state (19.7%) and in male prison officers (24.0%). Among seropositive individuals, fatigue was the most frequent symptom in prison agents (13.4%) and myalgia in health professionals (10.8%); and the most prevalent comorbidities among the seropositive individuals were asthma or bronchitis (16.2%), in health professionals, and hypertension in prison officers (12.8%).

Conclusion:

The serological prevalence of SARS-Cov-2 infection was higher in prison officers, a finding that can support disease control and prevention actions in this scenario.

Keywords:

Prevalence
Coronavirus Infections
Prisons
Occupational Health
Cross-Sectional Studies.
INTRODUCTION

Study contributions	
Main results	Among 986 prison system workers in Espírito Santo, the serological prevalence of SARS-CoV-2 infection was 11.9% (95%CI 8.1%;15.7%) in health professionals, and 22.1% (95%CI 18.8%;25.3%) in prison officers.	
Implications for services	The knowledge of the serological indicators related to workers in the prison environment, enables the managers of these institutions to implement and qualify actions aimed at coping with the COVID -19 pandemic.	
Perspectives	Reflections on the weaknesses of the prison system can contribute to the improvement of sanitary conditions observed in prison settings, evidencing the need to ensure the maintenance of the health and well-being of prison staff.	

One year after the World Health Organization (WHO) declared the COVID-19 outbreak a pandemic, in March 2020, it could be seen that some population groups, such as black people and individuals with lower income and schooling, have been shown to be more vulnerable to deaths due to SARS-CoV-2.1.2

In addition, individuals in confined spaces with potential agglomeration of people are more exposed to contagion and the spread of the virus.3 As such, prison environment provide the ideal conditions that potentially facilitate the spread of COVID-19,3 given the precarious situation that Brazilian prison system has been facing, described as poorly maintained places, with little or no ventilation, in addition to the problem of chronic overcrowding.4

Data from the Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disclosed by the Departmento Penitenciário Nacional (DEPEN), showed that not only persons deprived of liberty (PDL) have been pointed out as the most vulnerable group affected by COVID-19, but also professionals working in these spaces, such as health professionals; and prison and administrative officers.5

As of February 22, 2021, 62,459 tests were performed and 15,450 cases of COVID-19 were diagnosed in Brazilian prison system workers, of whom 112 died. Regarding the Federative Units, São Paulo state accounted for the highest number of cases (2,751), while Rio Grande do Sul state had the lowest occurrence.13 The South region of Brazil had the lowest percentage of deaths related to the disease, 5.4%, and the Southeast region accounted for 46.6% of deaths from COVID-19 in the country. In the state of Espírito Santo, Southeast region, 835 cases in prison system workers and three deaths due to the disease had been reported until then.5

An international study on data from the COVID Prison Project, regarding the period between April 2020 and January 2021, showed that prison staff reported higher rates of COVID-19 compared to the general population, and close to that observed in the PDL from the countries studied.6

Thus, it is extremely important to know this reality, in order for the health and/or security institutions to develop strategies aimed at controlling COVID-19 transmission in those places and, consequently, protecting the health of people deprived of liberty, prison staff, health professionals, lawyers or justice professionals, or any individual who enters the prison, in addition to the general community.7

This study aimed to estimate the serological prevalence of SARS-CoV-2 infection among the prison system workers in the state of Espírito Santo, Brazil.

METHODS

This was a cross-sectional study, using data from a population-based survey,8 with quota sampling, conducted in prisons in the state of Espírito Santo, stratified according to the categories of workers such as ‘health professionals’ and ‘prison officers’.

The study was conducted between August 31st and September 4th, 2020, and had as target population professionals working in the 34 prisons in Espírito Santo state, distributed over 13 municipalities in the state. 441 health professionals and 3,101 prison officers worked in those units.

For the calculation of the sample, we took into consideration the population size described, an expected prevalence of COVID-19 of 10%, sampling error of 2 percentage points and 5% confidence level. The minimum sizes defined for the sample were 293 health professionals and 667 prison officers. They were proportionally calculated according to the number of health professionals and prison officers in each prison unit.

One week before the beginning of this study, according to a list of names provided by the Prison System Administration of the state of Espírito Santo, we selected those who would take part in the study at random, considering the two categories of workers. At this stage of the process, there was around a 40% increase in the number of participants included in the study, in order to compensate for any absences or leave, or alternating work shift.

An application was developed on the ArcGIS Online Platform software, in order to be installed on mobile devices and it could be used offline, which allowed data collection in the prisons. At the end of each application day, the devices were connected to the internet and the technical team immediately received the data package collected on that journey.

A research monitoring panel was developed for each of the prisons, in order to monitor which units were close to or had already achieved the goals for each of the profiles addressed in the survey - prison officers and health professionals working in the state prison system.

The interviewers were trained in the performance of blood test, which was performed with a blood sample collected using digital puncture. Immunochromatographic rapid test for detecting IgM and IgG antibodies, MedLevensohn brand, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registration No. 80560310056, was used. The result was estimated based on the observation of the markers, according to the amount of time specified by the manufacturer. In case of doubts regarding the interpretation, the tests were repeated and forwarded to the medical team responsible for the research. The test was considered positive - IgG or IgM; however, information on which of the two markers had a positive result was not available to the authors.

The interviewers received all personal protective equipment (PPE) recommended by the Anvisa for possible contact with people with COVID-19, in addition to other necessary items, such as cell phones and alcohol, and also other materials used in serological surveys, provided by the Espírito Santo State Department of Health.

In addition to COVID-19 testing, information was collected from the participants using a face-to-face interview with closed-ended questions. As such, the following variables were selected and categorized:

sex (male; female);

age group (in years: up to 30; 31 to 40; 41 to 50; 51 and more);

schooling (complete high school; incomplete higher education; complete higher education; master’s degree);

race/skin color (Asian; White; Indigenous; Brown; Black);

number of COVID-19 symptoms in the last 15 days (none; 1; 2; 3 or more);

access to the health services in the last 15 days (no; yes);

hand hygiene habits (no; yes);

use of public transportation to commute to work (no; yes);

frequency of daily use of public transportation to commute to work (does not use; up to 3 times a day; 4 times a day or more);

average daily commute time using public transportation (does not use; less than 30 minutes; between 30 and 60 minutes; more than 60 minutes); and

workload (in hours: 20; 30; 40).

The information was stored in a database, and the statistical analysis was performed using the Statistical Package for the Social Science (SPSS), version 20.0. Prevalence and respective 95% confidence intervals (95%CI) were estimated. The differences between exposure variables and COVID-19 seropositivity, stratified for health professionals and prison officers, was analyzed using Pearson’s chi-square test, or Fisher’s exact test. The level of significance adopted was 5%.

All individuals selected for the sample in the prison units were informed about the objective of this study, risks and benefits involved, along with advice on preventive measures. The material for serology tests and data were collected after the participants signed the Free and Informed Consent Form. All individuals who had been tested, received the result a few minutes after its performance. Positive cases were reported and referred to the Municipal Health Services for clinical evaluation. All biosafety measures were taken in order to ensure the health of field workers. The study was approved by the Human Research Ethics Committee, Center for Health Sciences of the Universidade Federal do Espírito Santo (CEP/CCS/UFES): Opinion No. 4,209,127, issued on August 12, 2020.

RESULTS

986 individuals working in the prison system in the state of Espírito Santo took part in the survey: 311 health professionals and 675 prison officers. There were no refusals to participate in the study.

The majority of the health professionals who took part in the study worked in prisons in the metropolitan region of Vitória, capital city of Espírito Santos (61.7%), closed regime (90.7%), were female (76.8%), aged between 31 and 40 years (41.3%), had complete higher education (43.5%) and self-reported Brown race/skin color (44.8%). Among prison officers, most of them worked in prisons in the metropolitan region of Vitória (59.4%), closed regime (89.5%), were male (76.1%), aged between 31 and 40 years (54.8%), had complete higher education (45.5%) and self-reported Brown race/skin color (49.9%) (Table 1).

Table 1 - Distribution of sociodemographic characteristics of health professionals and prison officers, according to the result of SARS-CoV-2 rapid test, Espírito Santo state, 2020

Variable	Category	Health professional N=311a	Prison officer N=675a	
Positive	Negative	Total	p-valueb	Positive	Negative	Total	p-valueb	
n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	
Prison location (region)	
	Metropolitan	14 (7.3)	178 (92.7)	192 (61.7)	0.006	86 (21.4)	315 (78.6)	401 (59.4)	0.178	
North	18 (19.7)	73 (80.3)	91 (29.3)		50 (25.9)	143 (74.1)	193 (28.6)		
South	5 (17.9)	23 (82.1)	28 (9.0)		13 (16.0)	68 (84.0)	81 (12.0)		
Prison regime	
	Closed	35 (12.4)	247 (87.6)	282 (90.7)	0.382c	139 (23.0)	465 (77.0)	604 (89.5)	0.086	
	Open	2 (6.9)	27 (93.1)	29 (9.3)		10 (14.1)	61 (85.9)	71 (10.5)		
Sex	
	Female	31 (13.0)	208 (87.0)	239 (76.8)	0.287	24 (15.0)	136 (85.0)	160 (23.9)	0.022	
Male	6 (8.3)	66 (91.7)	72 (23.2)		123 (24.0)	388 (76.0)	511 (76.1)		
Age group (in years)	
	≤30	13 (11.3)	102 (88.7)	115 (37.1)	0.543c	9 (19.1)	38 (80.9)	47 (7.0)	0.665	
31-40	14 (10.9)	114 (89.1)	128 (41.3)		77 (20.9)	292 (79.1)	369 (54.8)		
41-50	9 (17.7)	42 (82.3)	51 (16.4)		50 (24.0)	158 (76.0)	208 (30.9)		
≥51	1 (6.3)	15 (93.7)	16 (5.2)		13 (26.5)	36 (73.5)	49 (7.3)		
Schooling	
	Complete high school	11 (20.0)	44 (80.0)	55 (17.8)	0.012c	52 (28.7)	129 (71.3)	181 (26.9)	0.025	
Incomplete higher education	3 (15.8)	16 (84.2)	19 (6.1)		15 (16.3)	77 (83.7)	92 (13.6)		
Complete higher education	14 (10.4)	121 (89.6)	135 (43.5)		64 (20.9)	243 (79.1)	307 (45.5)		
Master’s degree	8 (7.9)	93 (92.1)	101 (32.6)		17 (18.1)	77 (81.9)	94 (14.0)		
Race/skin color	
	Yellow	1 (33.3)	2 (66.7)	3 (1.0)	0.022c	(0.0)	4 (100.0)	4 (0.6)	0.472c	
White	7 (5.5)	120 (94.5)	127 (41.0)		45 (20.1)	179 (79.9)	224 (33.2)		
Indigenous	(0.0)	(0.0)	(0.0)		(0.0)	4 (100.0)	4 (0.6)		
Brown	25 (18.0)	114 (82.0)	139 (44.8)		81 (24.0)	256 (76.0)	337 (49.9)		
Black	4 (9,7)	37 (90,3)	41 (13,2)		23 (21,7)	83 (78,3)	106 (15,7)		
a) Total number of respondents; this total may be different for some variables, due to non-response; b) Pearson chi-square test; c) Fisher’s exact test.

The prevalence of positive cases was 11.9% (95%CI 8.1%;15.7%) among health professionals, and 22.1% (95%CI 18.8%;25.3%) among prison officers.

Positive cases for SARS-CoV-2 were more frequent among health professionals in the north region of Espírito Santo (19.7%) and in male prison officers (24.0%). In both groups of workers, the outcome was associated with lower education (complete high school) (Table 1).

Most health professionals and prison officers had no symptoms (67.5% of health professionals and 64.9% of prison officers) and had not sought health care in the last 15 days (77.5% of health professionals and 83.8% of prison officers) did not have comorbidities (73.6% of health professionals and 77.8% of prison officers), reported hand hygiene habits (99.0% of health professionals and 98.2% of prison agents), did not use public transportation to commute to work (61.0% of health professionals and 90.1% of prison officers) and had a weekly workload of 40 hours (48.7% of health professionals and 94.3% of prison officers) (Table 2).

Table 2 - Distribution of the number of symptoms, comorbidities, health service seeking and handwashing habits among health professionals and prison officers, according to the result of SARS-CoV-2 rapid test, Espírito Santo state, 2020

Variable	Category	Health professional N=311a	Prison officer N=675a	
Positive	Negative	Total	p-valueb	Positive	Negative	Total	p-valueb	
n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	n (%)	
Number of symptoms in the last 15 days	
	None	24 (11.4)	186 (88.6)	210 (67.5)	0.342c	89 (20.3)	349 (79.7)	438 (64.9)	0.026	
1	7 (17.9)	32 (82.1)	39 (12.5)		20 (17.4)	95 (82.6)	115 (17.0)		
2	1 (3.6)	27 (96.4)	28 (9.0)		15 (32.6)	31 (67.4)	46 (6.8)		
3	1 (7.7)	12 (92.3)	13 (4.2)		10 (28.6)	25 (71.4)	35 (5.2)		
≥4	4 (19.1)	17 (80.9)	21 (6.8)		15 (36.6)	26 (63.4)	41 (6.1)		
Access to health services in the last 15 days	
	No	30 (12.6)	208 (87.4)	238 (77.5)	0.580	126 (22.3)	439 (77.7)	565 (83.8)	0.782	
Yes	7 (10.1)	62 (89.9)	69 (22.5)		23 (21.1)	86 (78.9)	109 (16.2)		
Number of comorbidities	
	None	23 (10.1)	206 (89.9)	229 (73.6)	0.150c	117 (22.3)	408 (77.7)	525 (77.8)	0.972c	
1	12 (18.8)	52 (81.2)	64 (20.6)		25 (21.4)	92 (78.6)	117 (17.3)		
2	1 (6.7)	14 (93.3)	15 (4.8)		5 (21.7)	18 (78.3)	23 (3.4)		
3	1 (33.3)	2 (67.7)	3 (1.0)		1 (14.3)	6 (85.7)	7 (1.0)		
≥4	- (0.0)	- (0.0)	- (0.0)		1 (33.3)	2 (66.7)	3 (0.5)		
Hand hygiene habits	
	No	- (0.0)	3 (100.0)	3 (1.0)	0.521c	1 (8.3)	11 (91.7)	12 (1.8)	0.247c	
Yes	37 (12.1)	269 (87.9)	306 (99.0)		148 (22.3)	515 (77.7)	663 (98.2)		
Use of public transportation to commute to work	
	No	24 (12.7)	165 (87.3)	189 (61.0)	0.817	130 (21.4)	477 (78.6)	607 (90.1)	0.101	
Yes	13 (10.7)	108 (89.3)	121 (39.0)		18 (26.9)	49 (73.1)	67 (9.9)		
Frequency of daily use of public transportation to commute to work	
	Does not use	24 (12.6)	166 (87.4)	190 (61.1)	0.812c	131 (21.6)	477 (78.4)	608 (90.1)	0.178	
4 times or more	10 (11.5)	77 (88.5)	87 (28.0)		9 (20.9)	34 (79.1)	43 (6.4)		
Up to 3 times	3 (8.8)	31 (91.2)	34 (10.9)		9 (37.5)	15 (62.5)	24 (3.5)		
Average daily commute time using public transportation	
	Does not use	24 (12.6)	166 (87.4)	190 (61.1)	0.641c	131 (21.6)	477 (78.4)	608 (90.1)	0.506c	
Less than 30 minutes	1 (6.7)	14 (93.3)	15 (4.8)		3 (37.5)	5 (62.5)	8 (1.2)		
Between 30 and 60 minutes	3 (7.1)	39 (92.9)	42 (13.5)		5 (20.0)	20 (80.0)	25 (3.7)		
More than 60 minutes	9 (14.1)	55 (85.9)	64 (20.6)		10 (29.4)	24 (70.6)	34 (5.0)		
Weekly workload	
	20 hours	5 (12.2)	36 (87.8)	41 (13.2)	0.285	14 (63.6)	8 (36.4)	22 (3.3)	0.001	
30 hours	9 (7.6)	109 (92.4)	118 (38.1)		5 (31.3)	11 (68.7)	16 (2.4)		
40 hours	23 (15.2)	128 (84.8)	151 (48.7)		130 (20.4)	506 (79.6)	636 (94.3)		
a) Total number of respondents; this total may be different for some variables, due to non-response; b) Pearson chi-square test; c) Fisher’s exact test.

Among prison officers, positive cases for SARS-CoV-2 were more frequent in individuals who presented one symptom (13.4%), although 59.7% of the prison officers who tested positive for SARS-Cov-2 did not present any symptoms. Among health professionals who had positive test results, 64.9% did not report covid-19 symptoms. Regarding prison officers, a higher proportion of positive results was observed among individuals working 20-hour shifts (63.6%), compared to other working time regimes: 31.3% for 30 hours and 20.4% for 40 hours (p=0.001) (Table 2).

With regard to workers who had positive test results in the group of health professionals, the most prevalent symptom was myalgia (10.8%), while in the group of prison officers, fatigue (13.4%) and myalgia (12.2%) were the most frequent symptoms. Test positivity was associated with the presence of heart palpitations in the group of health professionals (p=0.024), while among prison officers, it was associated with the symptoms of anosmia (p=0.021), fatigue (p=0.002) and palpitations (p=0.014) (Figure 1).

Figure 1 - Distribution of symptoms among health professionals and prison officers (n=37 health professionals and 149 prison officers) who tested positive for SARS-CoV-2, Espírito Santo state, 2020

Legend: p-po = p-value - prison officers; p-hp = p-value- health professionals.

Figure 2 shows the comorbidities reported by health professionals and prison officers, among those who had positive test results. Regarding health professionals, the distribution of comorbidities ranged from no cases of kidney disease, tuberculosis and cancer to 16.2% of asthma or bronchitis. Among prison officers, this distribution ranged from 0.7% of kidney disease and tuberculosis to 12.8% of hypertension. Finally, among health professionals, the presence of heart disease was associated with test positivity (p=0.006).

Figure 2 - Distribution of comorbidities among health professionals and prison officers (n=37 health professionals and 149 prison officers) who tested positive for SARS-CoV-2, Espírito Santo state, 2020

Legend: p-po = p-value - prison officers; p-hp = p-value- health professionals.

DISCUSSION

Among the prison staff who took part in this study, the sorological prevalence of SARS-CoV-2 infection was 11.9% in health professionals, and 22.1% in prison officers. Data from DEPEN revealed that 24.7% of the tests performed on prison staff nationwide showed a positive result,5 indicating a small difference regarding national data.

Data disclosed and collected by the CNJ (Conselho Nacional de Justiça) until the end of September 2020 showed that the contamination rate of SARS-CoV-2 among prison staff in the country was three times as high as that found in the general population, given that this group recorded 7,694.5 cases per 100,000 professionals, while in the general population, there were 2,258.2 cases per 100,000 inhabitants. In the same period, the contamination rate among the PDL was 3,774.4 cases per 100,000 prisoners.9

A study conducted with 1,163 emergency service workers in Porto Alegre, capital city of Rio Grande do Sul, showed a prevalence of more than 80% exposure to SARS-CoV-2, and an antibody production of 5.5% - 1.6 times as high as the proportion of antibodies developed by the municipal population.10

An ongoing research on data updated on August 30th, 2021, conducted with health professionals providing care to those with COVID-19, in the metropolitan regions of Porto Alegre, Fortaleza, capital city of Ceará, Belém, capital city of Pará, São Paulo, and Recife, capital city of Pernambuco, showed that 40.5% of these professionals had COVID-19 infection and 35.3% psychiatric symptoms.11

For nursing professionals, the information collected by the Federal Nursing Council, regarding the time interval between March 20th and May 28th, 2020, showed 17,414 suspected and 5,732 confirmed cases, and 134 deaths occurred in that period in Brazil. With regard to other characteristics evaluated, the Southeast region presented the highest number of cases and deaths, the age group with the most reported cases was 31-40, and the highest case fatality ratio among men.12 These findings corroborate data from this study, in which a higher frequency of positive test results among health professionals aged 31 to 40 years working in the prison system was also observed.

A cross-sectional study conducted at a university hospital in São Paulo assessed the prevalence of SARS-Cov-2 infection among symptomatic health professionals using the RT-PCR test. Data showed that 42.4% of the symptomatic professionals presented a positive result.13 As in the study conducted in São Paulo, the present study did not find a significant difference in the prevalence of comorbidities among professionals with positive or negative test results. Regarding symptoms, the same study conducted in São Paulo showed that anosmia and eye pain were independently associated with infection positivity, while in this study, anosmia, fatigue and palpitation were significant.

In March 2020, WHO published a guidance entitled ‘Preparedness, Prevention and Control of COVID-19 in prisons and other places of detention’, aimed to assist countries in developing specific plans for these detention settings to deal with COVID-19. The document reinforces the importance for each country to be prepared to respond to possible scenarios for the disease. Therefore, countries should adjust and tailor their approach to the local context, in order to identify, manage and treat the disease.14

In Brazil, the CNJ published its Recommendation No. 62, 2020, with preventive measures against the spread of coronavirus infection in criminal and socio-educational justice systems. Actions aimed at release and non-imprisonment of individuals in risk groups (the elderly, pregnant women and people with chronic conditions), health actions (restriction of visits, frequent hygiene of cells and common spaces), screening persons deprived of liberty at prison entrance, as well as professionals and visitors, and isolation for suspected or confirmed COVID-19 cases, are among the main recommended measures.15.16

Taking into consideration both aforementioned documents, the Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) has developed a booklet addressed to health professionals and managers working in the prison system, adding information about the COVID-19 pandemic in the context of Brazilian prison system.17 Among the main contributions of Fiocruz’s document, the following measures stand out: (i) the adoption of changes in daily routine, such as suspension of visits and separation of elderly prisoners and people with chronic diseases; (ii) early COVID-19 testing in individuals with compatible symptoms; (iii) the notification of suspected COVID-19 cases with flu-like symptoms within 24 hours, and the inclusion of PDL and prison staff in the epidemiological surveillance system; and, finally, (iv) keeping health professionals and prison officers informed about the regulations for the monitoring and treatment of cases of the disease.17.18 The booklet also advises that for comprehensive health care and psychosocial support, a COVID-19 contingency plan should be developed at local levels, including both intervention strategies and the guarantee of specialized health care within the scope of the Brazilian National Health System.17

The State Secretariat of Justice of Espírito Santos has developed a COVID-19 Contingency Plan to be adopted by the prison units in the state, with recommendations for identifying, preventing and coping with COVID-19 in the prison system, establishing general guidelines for the prevention and management of suspected and/or confirmed cases. The Plan recommends, among other measures, the screening of suspected COVID-19 cases using a questionnaire and temperature measurement of people at prison entrance such as PDL, prison staff and visitors.19.20

It is worth highlighting that, the prison environment is unhealthy and favors the spread of the virus,4 as well as the inadequate working conditions of prison staff contribute to aggravate this scenario. In 2019, the Tribunal de Contas do Estado de São Paulo inspected the São Paulo prison system, responsible for the largest number of prisoners in the country,21 and found: the inmate-to-prison officer ratio was 9.8 to 1, in prisons in São Paulo, twice as high as the maximum recommended by the Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, which is an inmate-to-prison officer ratio of 5 to 1.22 In the same period, it could be seen that many prisons did not have a team with a minimum number of health professionals (18), according to the recommendations of the Interministerial Ordinance of the Ministry of Health and Ministry of Justice, No. 1,777/2003,23 and the National Policy for Comprehensive Health Care of People Deprived of Liberty in the Prison System.

This study presents limitations regarding the design, and it is not possible to determine the causality between the variables studied and the positive test result to ensure that the confounding factors are equally distributed among the groups, or even to portray the reality of the moment when the research was conducted. Another limitation of this study lies in the impossibility of distinguishing whether SARS-CoV-2 was active or past infection, due to a single test result for IgG and IgM antibodies. During data collection, no worker was hospitalized due to severe manifestations of COVID-19.

Given this scenario, it is worth highlighting the challenge experienced by managers and professionals from different areas in coping with the COVID-19 pandemic, showing the weaknesses of the country’s penal system. All these aspects have been aggravated by the precarious situation that Brazilian prison system has been facing, in addition to overcrowding, devaluation and insufficient number of professionals, among other aspects. It is worth mentioning that the Brazilian state has a constitutional duty to guarantee the protection of individuals in its custody, as well as to provide adequate working conditions for its employees, with the objective of ensuring the maintenance of the health and well-being of these citizens.

AUTHORS’ CONTRIBUTION: Duque CLC, Macedo LR, Bianchi EN and Silva AI collaborated with data interpretation and preparation of preliminary versions. Maciel ELN and Sá RT collaborated with the study conception or design, and the critical reviewing of intellectual content. Jabor PM, Gomes CC, Cardoso OA, Lira P, Magno Filho SJS and Zanotti RL collaborated with data collection and preparation of preliminary versions. Zandonade E collaborated with the study conception or design, data analysis and critical reviewing of intellectual content. All authors have approved the final version of the manuscript and declared themselves to be responsible for all aspects of the work, including ensuring its accuracy and integrity.

CONFLICTS OF INTEREST: The authors declared that they have no conflicts of interest.

Associate editor: Doroteia Aparecida Höfelmann - https://orcid.org/0000-0003-1046-3319
==== Refs
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