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Arq Bras Cardiol
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abc
Arquivos Brasileiros de Cardiologia
0066-782X
1678-4170
Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC

39166563
00308
10.36660/abc.20230705
Artigo Original
Adequação Alimentar de Indivíduos com Doença Cardiovascular Conforme Diretrizes Clínicas no Programa Alimentar Brasileiro Cardioprotetor
https://orcid.org/0000-0002-9406-4456
Brito Luciana Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 1 2
Sahade Viviane Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 3
Marcadenti Aline Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Obtenção de financiamento Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 4
Torreglosa Camila Ragne Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Obtenção de financiamento Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 4
Weber Bernardete Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Obtenção de financiamento Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 5
Bersch-Ferreira Ângela Cristine Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Obtenção de financiamento Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 5
Rodrigues Isa Galvão Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 6
Sousa Antônio Carlos Sobral Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 7
Gomes Adriana Barros Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 7
Pinheiro Josilene Maria Ferreira Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 8
Vasconcelos Sandra Mary Lima Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 9
Carlos Daniele Maria de Oliveira Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 10
de Figueiredo José Albuquerque Neto Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 11
Dantas Clenise de Farias Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados 12
https://orcid.org/0000-0003-1115-688X
Daltro Carla Concepção e desenho da pesquisa Obtenção de dados Análise e interpretação dos dados Análise estatística Redação do manuscrito Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo 13
1 Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da UFBA Hospital Universitário Professor Edgard Santos Universidade Federal da Bahia Salvador BA Brasil Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da UFBA - Hospital Universitário Professor Edgard Santos - Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, BA – Brasil
2 Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares Salvador BA Brasil Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Salvador, BA – Brasil
3 Universidade Federal da Bahia Departamento de Nutrição Escola de Nutrição Salvador BA Brasil Universidade Federal da Bahia - Departamento de Nutrição da Escola de Nutrição da UFBA, Salvador, BA – Brasil
4 Instituto de Pesquisa do Hcor São Paulo SP Brasil Instituto de Pesquisa do Hcor, São Paulo, SP – Brasil
5 Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência São Paulo SP Brasil Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, São Paulo, SP – Brasil
6 Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco Recife PE Brasil Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco, Recife, PE – Brasil
7 Universidade Federal de Sergipe Aracaju SE Brasil Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE – Brasil
8 Hospital Universitário Ana Bezerra Santa Cruz RN Brasil Hospital Universitário Ana Bezerra, Santa Cruz, RN – Brasil
9 Universidade Federal de Alagoas Maceió AL Brasil Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL – Brasil
10 Hospital de Messejana Fortaleza CE Brasil Hospital de Messejana, Fortaleza, CE – Brasil
11 Universidade Federal do Maranhão São Luís MA Brasil Universidade Federal do Maranhão, São Luís, MA – Brasil
12 Hospital Universiário Alcides Carneiro Universidade de Campina Grande Campina Grande PB Brasil Hospital Universiário Alcides Carneiro - Universidade de Campina Grande, Campina Grande, PB – Brasil
13 Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da UFBA Departamento de Nutrição da Escola de Nutrição da UFBA Universidade Federal da Bahia Salvador BA Brasil Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da UFBA - Departamento de Nutrição da Escola de Nutrição da UFBA – Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA – Brasil
Correspondência: Luciana Brito • Hospital Universitário Professor Edgard Santos - Unidade de Nutrição Clínica - R. Dr. Augusto Viana, s/n. CEP 40110-040, Canela, Salvador, BA – Brasil. E-mail: lucianabritog@yahoo.com.br
Editor responsável pela revisão: Gláucia Maria Moraes de Oliveira

Potencial conflito de interesse

Não há conflito com o presente artigo

31 7 2024
7 2024
121 7 e2023070511 10 2023
24 2 2024
13 3 2024
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

Resumo

Fundamento

Alcançar as metas nutricionais estabelecidas pelas sociedades científicas é um desafio constante e nem sempre alcançado.

Objetivo

Investigar a adequação alimentar de indivíduos com doença cardiovascular (DCV), participantes do Programa Alimentar Brasileiro Cardioprotetor residentes da região Nordeste do Brasil, segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Métodos

Análise transversal com dados do estudo de implementação da Dieta Cardioprotetora Brasileira (DICA BR) que avaliou indivíduos com DCV, atendidos em centros especializados em saúde cardiovascular em oito estados do Nordeste. O consumo alimentar foi obtido por recordatório alimentar de 24 horas e a adequação da dieta seguiu as recomendações da SBC. Foram considerados significantes valores de p < 0,05.

Resultados

Foram estudados 647 pacientes, com média (desvio padrão) de idade de 63,1 (9,4) anos, sendo 50,2% do sexo feminino. Na avaliação da ingestão alimentar, observou-se baixa adequação de carboidratos (52,3%), proteínas (70,9%), lipídios (38,8%) e fibras (22,4%). Observou-se que a maioria das mulheres consumia dieta hipoproteica (59,2%) e idosos tinham maior inadequação no consumo de carboidratos (52,6%). Em relação a ingestão de sódio, os homens apresentaram maior ingestão (72,9%), enquanto os idosos apresentaram redução de 13%. Além disso, foi demonstrado que os homens ingeriam mais fibras (28,1%) e indivíduos com maior escolaridade tinham um consumo elevado de ácidos graxos saturados (70,5%).

Conclusões

A maioria dos indivíduos não alcançou as metas dietoterápicas preconizadas para prevenção cardiovascular secundária. Os achados do presente estudo reforçam a necessidade de implementação de estratégias estruturadas, a fim de estimular hábitos alimentares saudáveis nesses indivíduos.

Doenças Cardiovasculares
Aterosclerose
Prevenção Secundária, Dieta
Ingestão de Alimentos
==== Body
pmcIntrodução

Dados da Organização Mundial de Saúde demonstram que as doenças cardiovasculares (DCV) lideram como a principal causa de mortalidade no mundo.1 No Brasil observa- se cenário semelhante, em que essas doenças foram responsáveis por aproximadamente 27% de todas as mortes, em 2019.2 Este dado é alarmante, pois aproximadamente 20% dos indivíduos que tiveram algum evento cardiovascular, sofrem o segundo evento um ano após o primeiro3 e a prevenção secundária é considerada ponto-chave para atingir de forma eficaz as metas terapêuticas de proteção cardiovascular.4-7

A prevenção cardiovascular secundária, é definida como o conjunto de estratégias preventivas, com objetivo de interromper a progressão da doença.8 Adoção de hábitos alimentares saudáveis e mudanças no estilo de vida, estão entre as estratégias importantes para a prevenção de eventos cardiovasculares recorrentes.8,9 Considerando esse contexto, foi desenvolvido o Programa Alimentar Brasileiro Cardioprotetor, denominado Dieta Cardioprotetora Brasileira (DICA BR),10,11 sendo um programa alimentar composto por prescrição dietética com adaptações da dieta mediterrânea através da valorização de alimentos factíveis para população brasileira, baseado nas recomendações nutricionais das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia.12

Apesar dos estudos demonstrarem a importância da alimentação na prevenção cardiovascular secundária, alcançar as metas terapêuticas estabelecidas pelas sociedades científicas é um desafio constante e nem sempre atingido.5 Apesar do amplo conhecimento sobre a importância da redução de fatores de risco cardiovascular, uma elevada parcela de indivíduos com DCV não atinge adequadamente o controle destes fatores.5,10

Embora tenha sido observada mundialmente uma redução da mortalidade por DCV,1 as taxas de morte por essas doenças continuam elevadas em algumas regiões brasileiras, com destaque para a região Nordeste do país.2 Entretanto, os estudos que avaliam as medidas de prevenção secundária nesta região são escassos. Assim, o objetivo do presente estudo foi investigar a adequação alimentar de indivíduos com doença cardiovascular (DCV), participantes do Programa Alimentar Brasileiro Cardioprotetor residentes da região Nordeste do Brasil, segundo as recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Métodos

Desenho do estudo

Trata-se de um estudo transversal, parte de um trabalho mais amplo, conduzido com dados de pacientes do estudo de implementação da Dieta Cardioprotetora Brasileira (DICA BR).11 O processo de coleta de dados foi realizado no baseline entre 2013 a 2015, por nutricionistas previamente treinados. A descrição detalhada do desenho do estudo foi publicada anteriormente.12

Amostra

A amostra foi composta por pacientes atendidos em dez centros de referência em saúde cardiovascular localizados na Região Nordeste do Brasil. Os critérios de inclusão adotados no estudo DICA BR foram idade igual ou superior a 45 anos, ambos os sexos e ter evidência de aterosclerose (doença arterial coronariana, doença cerebrovascular ou doença arterial periférica), atual ou nos últimos dez anos diagnosticada pelo médico assistente.

Foram considerados portadores de doença arterial coronariana (DAC) aqueles pacientes que apresentassem uma ou mais das seguintes características: DAC assintomática (história de angiografia coronariana ou angiotomografia coronariana com estenose aterosclerótica ≥70% do diâmetro de qualquer artéria coronária); DAC sintomática (história de angina: diagnóstico clínico, mesmo sem exames complementares; história de positividade ao teste de esforço); DAC tratada (realização prévia de angioplastia/Stent/revascularização) e infarto (história de infarto do miocárdio ou síndrome coronariana aguda; história de anormalidade no movimento segmentar da parede cardíaca na ecocardiografia ou um defeito segmentar fixo em cintilografia).

Por sua vez, o diagnóstico de doença cerebrovascular (Acidente Vascular Cerebral-AVC isquêmico/ Acidente Isquêmico Transitório-AIT/Acidente Vascular Encefálico-AVE), foi considerado quando o paciente apresentou um ou mais dos seguintes critérios: diagnóstico médico de AVC ou AIT; evidência de AVC prévio na tomografia computadorizada ou na ressonância nuclear magnética.

Em relação ao diagnóstico de doença arterial periférica (DAP), este foi considerando quando o indivíduo apresentou, um ou mais dos critérios a seguir: DAP assintomática (relação tornozelo/braço <0,9 de pressão arterial sistólica em qualquer perna em repouso; estudo angiográfico ou doppler demonstrando estenose >70% em uma artéria não cardíaca); DAP sintomática (claudicação intermitente); DAP tratada (cirurgia vascular para doença aterosclerótica); Amputação por causa arterial e aneurisma de aorta.

Os critérios de não inclusão foram: condição psiquiátrica e/ou neurocognitiva que impedisse a obtenção de dados; expectativa de vida inferior a seis meses; gravidez ou lactação; insuficiência hepática com história de encefalopatia ou anasarca; insuficiência renal com indicação de diálise; insuficiência cardíaca congestiva; transplante de órgãos; gastroplastia; cadeirante e participantes que apresentassem dificuldade de alimentação via oral.

Coleta de dados

Os dados obtidos para este trabalho foram: tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial (HAS), diabetes mellitus (DM), dislipidemia, doença arterial coronariana tratada (DAC e DAP tratada) e aferição da pressão arterial, conforme descrito em literatura.13 Em relação das variáveis socioeconômicas, o nível de escolaridade foi classificado em menor (analfabeto ou ensino fundamental) ou maior nível (ensino médio ou superior). Quanto à classe social, esta foi classificada em menor (C, D e E) ou maior (A e B).14

Exames laboratoriais

A análise dos exames laboratoriais foi realizada com o paciente em jejum de 12 horas e o não consumo de álcool nas 72 horas anteriores. Foram utilizados marcadores de risco cardiovascular tradicionais: triglicérides, colesterol total, lipoproteínas de alta densidade (HDL- c), lipoproteínas de baixa densidade (LDL-c) e colesterol não HDL, sendo classificados conforme recomendações preconizadas.7,15

Avaliação antropométrica

Os dados de peso e altura foram utilizados para calcular a variável índice de massa corpórea (IMC). Para fins de análise, os indivíduos foram agrupados com presença de baixo peso, quando o IMC fosse inferior a 18,5kg/m2 e 23,0kg/m2; eutrófico com valores compreendidos entre 18,5-24,9kg/m2 e 23,0-27,9kg/m2; excesso de peso quando o IMC foi igual ou superior a 25,0kg/m2 e 28,0kg/m2, respectivamente em adultos e idosos. A obesidade foi definida com IMC igual ou superior a 30,0kg/m2, para ambos.16,17 A presença de obesidade central foi determinada a partir da medida da circunferência da cintura, conforme técnica e pontos de corte preconizados.18

Avaliação da ingestão alimentar

Em relação à análise da ingestão alimentar foi utilizado o recordatório alimentar de 24 horas (R24H), sendo obtido segundo a metodologia de múltiplas passagens,19 com a utilização de um álbum fotográfico de medidas e porções de alimentos, objetivando aumentar a confiabilidade das informações coletadas. Para a análise da composição nutricional dos R24H obtidos, foi utilizado o programa Nutriquanti®, o qual prioriza as tabelas de composição nutricional brasileiras.

A quantidade do valor energético total (VET) e proteínas ingeridas foi expressa por quilograma de peso. Para indivíduos com excesso de peso e obesos foi considerado adequado o consumo energético na faixa de 20,0 a 25,0kcal/kgPatual/dia.20 Entretanto, diante da ausência de recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia para ingestão de energia em indivíduos com aterosclerose com baixo peso e eutróficos, foi estabelecido como adequada 30,0 a 35,0kcal/KgP e 25,0 a 30,0kcal/KgP, respectivamente.21

A ingestão de macronutrientes (carboidratos e lipídeos) foi avaliada em percentual utilizando-se como referência o VET consumido. O consumo de proteína (igual ou superior a 0,8g/KgP),20 sódio (inferior a 2.000mg),13 carboidratos (45 a 60%), fibra alimentar (igual ou superior a 25g), lipídios (25 a 35%), ácidos graxos poliinsaturados (PUFA) de 5 a 10%, monoinsaturados (MUFA) 15%, saturados (AGsat) inferior a 7% e ausência de ácidos graxos trans.7

Quanto as adequações nutricionais referentes ao consumo de cálcio, magnésio e potássio, em virtude da ausência de recomendação especificas para indivíduos com DCV, estas foram consideradas de acordo com o sexo e a faixa etária com base nas recomendações de consumo de micronutrientes da EAR (Estimated Average Requirements), através da Dietary reference intakes (DRI).22

Comitê de ética

O estudo foi conduzido de acordo com os princípios éticos e o protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do [removido para revisão cega por pares], bem como dos comitês de ética de cada centro colaborador. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Análise estatística

Para análise dos dados foi utilizado o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 17. Os dados foram apresentados por frequência simples e relativa, média e desvio padrão (DP) ou mediana (Md) e intervalo interquartílico (IIQ), conforme natureza das variáveis. A normalidade das variáveis quantitativas foi testada utilizando a estatística descritiva, análise gráfica e testes de normalidade (Kolmogorov-Smirnov). As associações foram testadas por meio da razão de prevalência com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%), em que na análise de razão de prevalência foi atribuído o valor 1 a categoria de referência. Os indivíduos foram divididos em dois grupos, “dentro da recomendação sim ou não” para fins d e comparação, sendo utilizado o teste qui-quadrado de Pearson para comparação das proporções. Foram considerados significantes valores de p < 0,05.

Resultados

Foram selecionados 654 indivíduos, sendo que sete não foram incluídos na amostra, por não terem comparecido a consulta inicial, totalizando 647 pacientes. Dos nove estados que compõem a região Nordeste do Brasil, apenas o estado do Piauí não participou do estudo. Os pacientes tinham média (DP) de idade de 63,1 (9,3) anos, com predominância do sexo feminino, de idosos, de indivíduos com baixo nível de escolaridade e sedentários (Tabela 1).

Tabela 1 – Características sociodemográficas, de estilo de vida, clínicas e antropométricas de 647 indivíduos com doença cardiovascular, acompanhado em ambulatórios de referência em atenção cardiovascular em oito estados do Nordeste do Brasil

Variáveis	Resultados	
Sociodemográficas e de estilo de vida	 	
Idade (anos)*	63,1 (9,3)	
Sexo feminino	325 (50,2%)	
Nível de escolaridade	 	
Analfabeto	210 (37,6%)	
Fundamental	211 (37,8%)	
Médio	100 (17,9%)	
Superior	37 (6,6%)	
Classe social	 	
Classe A e B	112 (20,0%)	
Classe C, D e E	447 (80,0%)	
Sedentarismo	463 (73,3%)	
Ex-tabagismo	342 (53,0%)	
Tabagismo	27 (4,2%)	
Clínicas	 	
Dislipidemia	625 (96,6%)	
Doença arterial coronariana	599 (92,6%)	
Hipertensão arterial	580 (89,6%)	
Infarto agudo do miocárdio	294 (45,4%)	
Diabetes mellitus	261 (40,3%)	
Acidente vascular cerebral	111 (17,2%)	
Doença arterial periférica	61 (9,4%)	
Doença arterial coronariana tratada	425 (65,7%)	
Antropometria	 	
Baixo peso	47 (7,3%)	
Eutrofia	229 (35,7)	
Excesso de peso	177 (27,6%)	
Obesidade	188 (29,3%)	
Obesidade abdominal	486 (77,0%)	
Alcance das metas terapêuticas	 	
LDL-c	45 (7,8%)	
Não-HDL-c	57 (9,8%)	
Triglicérides	341 (58,6%)	
*Dados em média e desvio padrão.

Na avaliação da ingestão alimentar, 49 indivíduos não tinham o registro alimentar na consulta basal, portanto, a análise da composição nutricional foi realizada em 598 indivíduos. Observaram-se inadequações do consumo de macronutrientes, fibras e micronutrientes, conforme descrito na Tabela 2.

Tabela 2 – Adesão as metas nutricionais para prevenção cardiovascular secundária em 598 indivíduos com doença cardiovascular atendidos em dez ambulatórios especializados em saúde cardiovascular em oito estados da Região Nordeste do Brasil

Variáveis	Resultados	Dentro das Recomendações	
Taxa calórica (Kcal/KgP)*	24,7 (22,6 - 28,0)	111 (18,6%)	
Carboidratos (%)	55,6 (10,6)	313 (52,3%)	
Proteína (g/KgP)	1,0 (0,7 - 1,3)	424 (70,9%)	
Lipídeos (%)	24,6 (7,6)	232 (38,8%)	
Ácidos graxos trans (%)*	0,02 (0,01 - 0,03)	598 (100,0%)	
Ácidos graxos saturados (%)	7,8 (5,7 - 10,6)	244 (40,8%)	
MUFA (%)	6,9 (5,3 - 8,7)	14 (2,3%)	
PUFA (%)	0,6 (0,5 - 0,8)	-	
Fibras (g)	16,5 (11,4 - 23,2)	134 (22,4%)	
Sódio (mg)	2.384,3 (1.720,6 - 3.180,6)	219 (36,6%)	
Potássio (mg)	2.037,0 (1.491,1 - 2.649,3)	2 (0,3%)	
Magnésio (mg)	182,2 (132,1 - 239,5)	24 (4,0%)	
Cálcio (mg)	471,0 (271,7 - 757,1)	45 (7,5%)	
*Md: mediana; IIQ: intervalo interquartílico; MUFA: ácidos graxos monoinsaturados; PUFA: ácidos graxos poliinsaturados.

As tabelas 3 e 4 descrevem a prevalência de inadequações no consumo alimentar e razões de prevalência, de acordo com gênero, faixa etária e variáveis sociodemográficas. O resumo dos achados do estudo pode ser observado na Figura Central.

Tabela 3 – Prevalência e razões de prevalência brutas de inadequações no consumo de calorias e macronutrientes, de acordo com gênero, faixa etária e variáveis sociodemográficas, de indivíduos com aterosclerose acompanhados em dez ambulatórios de referência em saúde cardiovascular em oito cidades da Região Nordeste

Variáveis	Taxa calórica inadequada	Consumo inadequado de Carboidratos	Baixo consumo proteico	
n	p (%)	RP	IC 95%	n	p (%)	RP	IC 95%	n	p (%)	RP	IC 95%	
Sexo	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Masculino	230	78,8	0,94	0,87 - 1,01	140	47,9	1,01	0,86 - 1,20	71	40,8	0,72	0,56 - 0,93	
Feminino	256	83,9	1,00	 	145	47,4	1,00	 	103	59,2	1,00	 	
Idoso	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Sim	292	81,1	0,99	0,92 - 1,07	190	52,6	1,31	1,09 - 1,58	100	57,5	0,89	0,69 - 1,14	
Não	194	81,9	1,00	 	95	40,1	1,00	 	74	42,5	1,00	 	
Escolaridade	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Menor	329	82,9	1,07	0,97 - 1,19	191	48,0	0,93	0,75 - 1,16	123	77,4	0,88	0,64 - 1,21	
Maior	102	77,3	1,00	 	59	44,7	1,00	 	36	22,6	1,00	 	
Classe social	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Menor	350	82,9	1,08	0,97 - 1,21	203	48,1	0,91	0,71 - 1,15	129	81,1	0,91	0,65 - 1,27	
Maior	82	76,6	1,00	 	47	43,5	1,00	 	30	18,9	1,00	 	
AGSat: ácidos graxos saturados; RP: razão de prevalência.

Tabela 4 – Prevalência e razões de prevalência brutas de inadequações no consumo de fibras, sódio e ácidos graxos saturados, de acordo com gênero, faixa etária e variáveis sociodemográficas, de indivíduos com aterosclerose acompanhados em dez ambulatórios de referência em saúde cardiovascular em oito cidades da Região Nordeste

Variáveis	Baixo consumo de fibras	Consumo elevado de sódio	Consumo elevado de AGSat	
n	p (%)	RP	IC 95%	n	p (%)	RP	IC 95%	n	p (%)	RP	IC 95%	
Sexo	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Masculino	210	71,9	0,87	0,79 - 0,95	213	72,9	1,34	1,19 - 1,52	176	60,3	1,04	0,91 - 1,18	
Feminino	254	83,0	1,0	 	166	54,2	1,0	 	178	58,2	1,00	 	
Idoso	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Sim	284	78,7	1,04	0,95 - 1,13	216	59,8	0,87	0,77 - 0,98	207	57,3	0,92	0,81 - 1,06	
Não	180	75,9	1,0	 	163	68,8	1,0	 	147	62,0	1,00	 	
Escolaridade	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Menor	313	78,6	1,09	0,97 - 1,23	245	61,6	0,87	0,76 - 1,00	225	56,5	0,82	0,71 - 0,95	
Maior	95	72,0	1,0	 	93	70,5	1,0	 	91	68,9	1,00	 	
Classe social	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Menor	331	78,4	1,09	0,96 - 1,23	266	63,0	0,94	0,81 - 1,10	244	57,8	0,86	0,73 - 1,00	
Maior	78	72,2	1,0	 	72	66,7	1,0	 	73	67,6	1,00	 	
AGSat: ácidos graxos saturados; RP: razão de prevalência.

Discussão

No presente estudo foi verificado que a maior parte dos indivíduos apresentou elevada inadequação às metas dietoterápicas estabelecidas para prevenção cardiovascular secundária. Em outros estudos também foram demonstrados relevantes inadequações as metas nutricionais, corroborando os resultados apresentados.23,24 Além disso, foi verificado que indivíduos idosos tinham maior inadequação de consumo de carboidratos, aqueles com maior escolaridade tinham consumo elevado de AGsat, além do mais os homens apresentaram maior ingestão de sódio e as mulheres maior inadequação de fibras. Esses dados chamam atenção, pois indivíduos com essas características provavelmente apresentem baixa adequação alimentar. Vale ressaltar que as inadequações alimentares podem ter influenciado o não atendimento às metas terapêuticas relacionadas ao perfil lipídico,7 controle pressórico13 e glicêmico.15

A Sociedade Brasileira de Cardiologia e a American Heart Association recomendam que, é potencialmente benéfico a aplicação conjunta de estratégias relacionadas a terapia medicamentosa e não farmacológica no manejo da aterosclerose.4,6,7 Estudos anteriores investigaram a associação de padrões alimentares com eventos cardiovasculares reincidentes11,25e que a adoção dos hábitos alimentares saudáveis parece atuar sinergicamente com o controle dos fatores de risco cardiovasculares.26

O consumo alimentar “aterogênico”, evidenciado pelo consumo elevado de AGsat e sódio, predominou nos indivíduos estudados. Evidências demonstram possíveis nutrientes apontados como fatores de risco para DCV, dentre os quais podem ser citados: elevado consumo de sódio, AGsat, gordura trans27 e carboidratos refinados.28 Em contraposição, a redução do consumo de alimentos fontes desses nutrientes, tem demonstrado ser de extrema importância na prevenção e controle das DCV.29

Ao analisar a ingestão alimentar da amostra estudada, observa-se que poucos indivíduos estavam consumindo a quantidade de calorias necessárias para o seu estado nutricional. A literatura demonstra possíveis fatores que dificultam atingir as recomendações nutricionais, dentre os quais: questões socioeconômicas30 e ausência de conhecimento ou má adesão as orientações nutricionais.31

É importante ressaltar que avaliar a qualidade da dieta é extremamente relevante. No presente estudo, apesar da maioria dos indivíduos apresentarem dieta com característica hipolipidica, observa-se elevado consumo de AGsat e baixo de ácidos graxos insaturados, corroborando outros autores.32 Estudos têm demonstrado que modificações qualitativas na composição lipídica da dieta parecem ter efeitos benéficos na redução de evento e mortalidade cardiovascular, apesar dos resultados serem conflitantes.27 Em uma metanálise, foram observados resultados conflitantes de dietas com redução de lipídeos e da substituição de AGsat por PUFA.33 Isso pode ser atribuído ao fato de que a troca de AGsat por ácidos graxos insaturados, além de diminuir o LDL-c, pode reduzir o HDL-c, ocorrendo de forma mais intensa ao substituir AGsat por MUFA.34

Entre estratos de maior escolaridade, o nível de instrução demonstrou estar associado à maior ingestão de AGsat. Sendo assim, ao analisarmos a escolaridade como medida indireta de renda, observa-se que indivíduos com nível socioeconômico mais favorável apresentam maior prevalência de inadequação de consumo de AGsat, corroborando outros autores.35 Neste contexto, cabe também ressaltar que, no presente estudo aproximadamente 30% dos indivíduos tinham dieta hipoprotéica. Sabe-se que esses alimentos habitualmente apresentam custo mais elevado e estão menos disponíveis entre os indivíduos de menor renda.36

Foi evidenciado que uma pequena parcela de indivíduos atingiu a recomendação de fibra alimentar, achado similar foi encontrado por outros estudos,23,37 possivelmente devido a adoção de hábitos alimentares pouco saudáveis, baixa qualidade do carboidrato ingerido28 e alto consumo de ultraprocessados identificado pelo consumo elevado de sódio.37 No que se refere às diferenças de consumo de fibras alimentares entre os sexos, as mulheres apresentaram maior prevalência de inadequação. Estudos têm demonstrado que o consumo de fibra alimentar reduz proporcionalmente na presença de piores condições socioeconômicas, o que possivelmente poderia justificar o baixo consumo evidenciado entre as mulheres.36 Uma metanálise demonstrou que a ingestão de fibras foi associada com uma redução benéfica no colesterol total, LDL-c e pressão arterial diastólica.38

O consumo elevado de sódio foi maior entre homens, achado semelhante ao de outros autores.39 Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), o consumo diário de sódio no Brasil é de aproximadamente 4.700 mg.40 Em virtude de a ingestão de sódio ser considerada um importante marcador de qualidade da dieta na prevenção cardiovascular secundária, reforça-se a necessidade de aplicação de ações de prevenção, visando redução de consumo de sódio.24

Ainda em relação ao consumo alimentar, o potássio, magnésio e cálcio são nutrientes essenciais, que desempenham importante papel na preservação do tônus vascular e contratilidade cardíaca.23 O consumo desses micronutrientes no presente estudo foi extremamente baixo, o que reflete a baixa qualidade da dieta, podendo ser justificada pelo consumo inadequado de alimentos fontes de vitaminas e minerais, além da predominância de indivíduos de baixo poder aquisitivo, favorecendo no menor acesso a uma alimentação mais variada e saudável.36

Entre as limitações deste estudo, pode-se citar a ausência de métodos mais precisos para avaliar o estado nutricional. Entretanto, o IMC e a circunferência da cintura foram avaliados conjuntamente, a fim de minimizar essa limitação. Ressalta-se que, esses indicadores apresentam baixo custo e fácil aplicação na prática clínica. Além disso, deve-se considerar que é possível que tenha ocorrido viés de memória, visto que o R24H é um instrumento dependente da memória do entrevistado. As limitações do uso deste instrumento residem no fato de que a ingestão alimentar em um único dia pode não refletir a dieta habitual do indivíduo. Entretanto, acreditamos que esses indivíduos apresentam baixa variabilidade de consumo alimentar, devido ao fato de a amostra ser composta predominantemente por indivíduos de classes sociais mais baixas.

É importante ressaltar que diante da ausência de recomendações especificas para indivíduos com DCV, a adequação da ingestão de micronutrientes foi realizada com base na DRI. Entretanto, essas recomendações foram desenvolvidas para uma população saudável e não brasileira, portanto os achados devem ser analisados com cautela.

A DICA BR é o primeiro estudo nacional trabalhando a regionalidade e alimentação relacionando-as com a saúde cardiovascular. Destaca-se que o programa é inédito no país, pois considera a cultura alimentar das regiões brasileiras. A adesão à hábitos alimentares saudáveis é um processo desafiador e dinâmico tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde.31 Diante do êxito da Primeira Dieta Cardioprotetora Brasileira foi elaborado pelo Ministério da Saúde um manual de orientações para profissionais de saúde da Atenção Básica41 com orientações nutricionais para indivíduos portadores de fatores de risco cardiovasculares.

De fato, a intervenção dietética adequada permite uma melhor combinação de múltiplos alimentos e nutrientes, com propriedade cardioprotetora na prevenção secundária das DCV. Dessa forma, é importante estimular o maior consumo desses nutrientes, favorecendo o melhor controle dos fatores de risco cardiovascular. Destaca-se o fato desse trabalho ser um estudo regional, com objetivo de fornecer informações relevantes para profissionais de saúde sobre o perfil de indivíduos nordestinos com DCV, bem como identificar fatores que possam exercer influência na adequação nutricional na prevenção cardiovascular secundária.

Conclusões

Os resultados do estudo indicaram que a maioria dos indivíduos não alcançou as metas dietoterápicas preconizadas para prevenção cardiovascular secundária, conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Dessa forma, tinham uma dieta pobre em fibras, em micronutrientes e de baixa qualidade nutricional, com elevada ingestão de gordura saturada e baixa de ácidos graxos insaturados, tudo isso predispondo a ocorrência de outros desfechos cardiovasculares. Foi identificado consumo excessivo de sódio, principalmente no sexo masculino, sendo um fator preocupante, pois esses indivíduos, devido ao risco cardiovascular muito elevado, requerem valores menores de consumo deste nutriente.

Agradecimentos

Agradecemos imensamente a participação dos profissionais de saúde e voluntários de cada centro participante do Nordeste do Brasil.

10.36660/abc.20230705i
Original Article
Dietary Adequacy of Individuals with Cardiovascular Disease According to Clinical Guidelines in the Brazilian Cardioprotective Nutritional (BALANCE)
https://orcid.org/0000-0002-9406-4456
Brito Luciana Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 1 2
Sahade Viviane Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 3
Marcadenti Aline Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Obtaining financing Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 4
Torreglosa Camila Ragne Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Obtaining financing Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 4
Weber Bernardete Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Obtaining financing Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 5
Bersch-Ferreira Ângela Cristine Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Obtaining financing Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 5
Rodrigues Isa Galvão Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 6
Sousa Antônio Carlos Sobral Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 7
Gomes Adriana Barros Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 7
Pinheiro Josilene Maria Ferreira Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 8
Vasconcelos Sandra Mary Lima Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 9
Carlos Daniele Maria de Oliveira Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 10
Figueiredo José Albuquerque de Neto Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 11
Dantas Clenise de Farias Acquisition of data Analysis and interpretation of the data 12
https://orcid.org/0000-0003-1115-688X
Daltro Carla Conception and design of the research Acquisition of data Analysis and interpretation of the data Statistical analysis Writing of the manuscript Critical revision of the manuscript for content 13
1 Brazil Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da UFBA - Hospital Universitário Professor Edgard Santos - Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, BA – Brazil
2 Brazil Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Salvador, BA – Brazil
3 Brazil Universidade Federal da Bahia - Departamento de Nutrição da Escola de Nutrição da UFBA, Salvador, BA – Brazil
4 Brazil Instituto de Pesquisa do Hcor, São Paulo, SP – Brazil
5 Brazil Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, São Paulo, SP – Brazil
6 Brazil Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco, Recife, PE – Brazil
7 Brazil Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE – Brazil
8 Brazil Hospital Universitário Ana Bezerra, Santa Cruz, RN – Brazil
9 Brazil Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL – Brazil
10 Brazil Hospital de Messejana, Fortaleza, CE – Brazil
11 Brazil Universidade Federal do Maranhão, São Luís, MA – Brazil
12 Brazil Hospital Universiário Alcides Carneiro - Universidade de Campina Grande, Campina Grande, PB – Brazil
13 Brazil Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da UFBA - Departamento de Nutrição da Escola de Nutrição da UFBA – Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA – Brazil
Mailing Address: Luciana Brito • Hospital Universitário Professor Edgard Santos - Unidade de Nutrição Clínica - R. Dr. Augusto Viana, s/n. Postal Code 40110-040, Canela, Salvador, BA – Brazil. E-mail: lucianabritog@yahoo.com.br

Abstract

Background

Achieving nutritional goals established by scientific societies is a constant challenge and not always achieved.

Objective

To investigate the dietary adequacy of individuals with cardiovascular disease (CVD), participants in the Cardioprotective Brazilian Food Program residing in the Northeast region of Brazil, according to the recommendations of the Brazilian Society of Cardiology (SBC).

Methods

Cross-sectional analysis with data from the study implementing the Brazilian Cardioprotective Diet (DICA BR), which evaluated individuals with CVD treated in specialized cardiovascular health centers in eight states in the Northeast region. Food consumption was obtained by 24-hour dietary records and dietary adequacy followed SBC recommendations. Values of p < 0.05 were considered significant.

Results

647 patients were studied, with a mean (standard deviation) age of 63.1 (9.4) years, 50.2% of whom were female. When evaluating food intake, a low adequacy of carbohydrates (52.3%), proteins (70.9%), lipids (38.8%), and fiber (22.4%) was observed. It was observed that the majority of women consumed a low-protein diet (59.2%) and the elderly had a greater inadequacy in carbohydrate consumption (52.6%). Regarding sodium intake, men had a higher intake (72.9%), while the elderly showed a 13% reduction. Furthermore, it was shown that men ate more fiber (28.1%) and individuals with higher education had a high consumption of saturated fatty acids (70.5%).

Conclusions

Most individuals did not achieve the recommended dietary therapy goals for secondary cardiovascular prevention. The findings of the present study reinforce the need to implement structured strategies to encourage healthy eating habits in these individuals.

Cardiovascular Diseases
Atherosclerosis
Secondary Prevention
Diet
Eating
Introduction

Data from the World Health Organization demonstrate that cardiovascular diseases (CVD) are the leading cause of mortality in the world.1 In Brazil, a similar scenario is observed, in which these diseases were responsible for approximately 27% of all deaths in 2019.2 This data is alarming, as approximately 20% of individuals who had a cardiovascular event suffer a second one a year later,3 and secondary prevention is considered a key point to effectively achieve the therapeutic goals of cardiovascular protection.4-7

Secondary cardiovascular prevention is defined as a set of preventive strategies, aiming to stop the progression of the disease.8 Adopting healthy eating habits and lifestyle changes are among the important strategies for preventing recurrent cardiovascular events.8,9 Considering this context, the Brazilian Cardioprotective Nutritional (BALANCE) was developed, called Brazilian Cardioprotective Diet (DICA BR),10,11 a food program consisting of dietary prescription with adaptations of the Mediterranean diet through the valorization of foods feasible for the Brazilian population, based on nutritional recommendations. of the guidelines of the Sociedade Brasileira de Cardiologia.12

Although studies demonstrate the importance of nutrition in secondary cardiovascular prevention, achieving the therapeutic goals established by scientific societies is a constant challenge and not always achieved.5 Despite extensive knowledge about the importance of reducing cardiovascular risk factors, a high proportion of individuals with CVD do not adequately control these factors.5,10

Although a reduction in mortality from CVD1 has been observed worldwide, death rates from these diseases remain high in some Brazilian regions, particularly the Northeast region of the country.2 However, studies that evaluate secondary prevention measures in this region are scarce, so the objective of the present study was to investigate the dietary adequacy of individuals with cardiovascular disease (CVD), participants in the BALANCE Program, residents of the Northeast region of Brazil, according to recommendations of the Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Methods

Study design

This is a cross-sectional study, part of a broader work, conducted with data from patients of the BALANCE Program11 implementation study. The data collection process was carried out at baseline between 2013 and 2015, by previously trained nutritionists. A detailed description of the study design has been previously published.12

Sample

The sample was made up of patients treated in ten cardiovascular health reference centers located in the Northeast Region of Brazil. The inclusion criteria adopted in the DICA BR study were: age equal to or greater than 45 years, both sexes and having evidence of atherosclerosis (coronary artery disease, cerebrovascular disease, or peripheral arterial disease), currently or in the last ten years diagnosed by the attending physician.

Patients were considered to have coronary artery disease (CAD) if they presented one or more of the following characteristics: asymptomatic CAD (history of coronary angiography or coronary tomography angiography with atherosclerotic stenosis ≥70% of the diameter of any coronary artery); symptomatic CAD (history of angina: clinical diagnosis, even without additional tests; history of positive stress test); Treated CAD (previous angioplasty/Stent/revascularization) and Infarction (history of myocardial infarction or acute coronary syndrome; history of abnormality in the segmental movement of the heart wall on echocardiography or a fixed segmental defect on scintigraphy).

In turn, the diagnosis of cerebrovascular disease (Ischemic Stroke-IS / Transient Ischemic Attack-TIA / Cerebral Vascular Accident-CVA) was considered when the patient presented one or more of the following criteria: medical diagnosis of stroke or TIA; evidence of previous stroke on computed tomography or magnetic resonance imaging.

Regarding the diagnosis of peripheral arterial disease (PAD), it was considered when the individual presented one or more of the following criteria: asymptomatic PAD (ankle/arm ratio <0.9 systolic blood pressure in either leg at rest; angiographic study or Doppler demonstrating >70% stenosis in a non-cardiac artery); symptomatic PAD (intermittent claudication); treated PAD (vascular surgery for atherosclerotic disease); Amputation due to arterial causes and aortic aneurysm.

The non-inclusion criteria were: psychiatric and/or neurocognitive condition that prevented data collection; life expectancy of less than six months; pregnancy or lactation; liver failure with a history of encephalopathy or anasarca; renal failure requiring dialysis; Congestive heart failure; organ transplantation; gastroplasty; wheelchair users and participants who had difficulty feeding orally.

Data collection

The data obtained for this work were: smoking, physical inactivity, hypertension (SAH), diabetes mellitus (DM), dyslipidemia, treated coronary artery disease (treated CAD and PAD), and blood pressure measurement, as described in the literature.13 Regarding socioeconomic variables, education was classified as lower (illiterate or elementary school) or higher level (high school or higher). As for social class, it was classified as lower (C, D, and E) or higher (A and B).14

Laboratory tests

The analysis of laboratory tests was carried out with the patient fasting for 12 hours and no alcohol consumption in the previous 72 hours. Traditional cardiovascular risk markers were used: triglycerides, total cholesterol, high-density lipoproteins (HDL-c), low-density lipoproteins (LDL-c), and non-HDL cholesterol, classified according to recommended recommendations.7,15

Anthropometric assessment

Weight and height data were used to calculate the variable body mass index (BMI). For analysis purposes, individuals were grouped as being underweight, when their BMI was less than 18.5kg/m2 and 23.0kg/m2; eutrophic with values between 18.5-24.9kg/m2 and 23.0-27.9kg/m2; excess weight when the BMI was equal to or greater than 25.0kg/m2 and 28.0kg/m2, respectively in adults and the elderly. Obesity was defined as a BMI equal to or greater than 30.0kg/m2, for both.16,17 The presence of central obesity was determined by measuring waist circumference, according to the recommended technique and cutoff points.18

Assessment of food intake

For the analysis of food intake, the 24-hour food record (R24H) was used, which was obtained according to the multiple-pass methodology,19 with the use of a photographic album of food measurements and portions, aiming to increase the reliability of the information collected. To analyze the nutritional composition of the R24H obtained, the Nutriquanti® program was used, which prioritizes Brazilian nutritional composition tables.

The amount of total energy value (TEV) and proteins ingested was expressed per kilogram of weight. For overweight and obese individuals, energy consumption in the range of 20.0 to 25.0kcal/kgP/day was considered adequate.20 However, given the lack of recommendation from the Sociedade Brasileira de Cardiologia for energy intake in individuals with atherosclerosis with low weight and normal weight, 30.0 to 35.0kcal/KgP and 25.0 to 30.0kcal/KgP were established as adequate. Respectively.21

The intake of macronutrients (carbohydrates and lipids) was evaluated as a percentage using the TEV consumed as a reference. Consumption of protein (equal to or greater than 0.8g/KgP),20 sodium (less than 2,000mg),13 carbohydrates (45 to 60%), dietary fiber (equal to or greater than 25g), lipids (25 to 35%), polyunsaturated fatty acids (PUFA) from 5 to 10%, monounsaturated (MUFA) 15%, saturated (SFA) less than 7% and absence of trans fatty acids.7

Nutritional adjustments regarding the consumption of calcium, magnesium, and potassium, due to the lack of specific recommendations for individuals with CVD, were considered according to sex and age group based on the EAR (Estimated Average Requirements) micronutrient intake recommendations, through the Dietary reference intakes (DRI).22

Ethics Committee

The study was conducted under ethical principles and the study protocol was approved by the Human Research Ethics Committee of Hospital do Coração (Hcor), as well as the ethics committees of each collaborating center. All participants signed the Free and Informed Consent Form (TCLE).

Statistical analysis

For data analysis, the Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) program, version 17, was used. Data were presented by simple and relative frequency, mean and standard deviation (SD) or median (Md), and interquartile range (IIQ), according to the nature of the variables. The normality of quantitative variables was tested using descriptive statistics, graphical analysis, and normality tests (Kolmogorov-Smirnov). The associations were tested using the prevalence ratio with respective 95% confidence intervals (95% CI), in which the value 1 was assigned to the reference category in the prevalence ratio analysis. The individuals were divided into two groups, “within the yes or no recommendation” for comparison purposes, using Pearson’s chi-square test to compare proportions. Values of p < 0.05 were considered significant.

Results

654 individuals were selected, seven of whom were not included in the sample because they did not attend the initial consultation, totaling 647 patients. Of the nine states that make up the Northeast region of Brazil, only the state of Piauí did not participate in the study. The patients had a mean (SD) age of 63.1 (9.3) years, with a predominance of females, elderly people, individuals with a low level of education, and sedentary (Table 1).

Table 1 – Sociodemographic, lifestyle, clinical, and anthropometric characteristics of 647 individuals with cardiovascular disease, followed up at reference cardiovascular care outpatient clinics in eight states in the Northeast of Brazil

Variables	Results	
Sociodemographic and lifestyle	 	
Age (years)*	63,1 (9,3)	
Female	325 (50,2%)	
Education level	 	
Illiterate	210 (37,6%)	
Fundamental	211 (37,8%)	
High school	100 (17,9%)	
Higher	37 (6,6%)	
Social class	 	
Class A and B	112 (20,0%)	
Class C, D, and E	447 (80,0%)	
Sedentary lifestyle	463 (73,3%)	
Ex-smoking	342 (53,0%)	
Smoking	27 (4,2%)	
Clinics	 	
Dyslipidemia	625 (96,6%)	
Coronary artery disease	599 (92,6%)	
Arterial hypertension	580 (89,6%)	
Acute myocardial infarction	294 (45,4%)	
Diabetes mellitus	261 (40,3%)	
Stroke	111 (17,2%)	
Peripheral arterial disease	61 (9,4%)	
Treated coronary artery disease	425 (65,7%)	
Anthropometry	 	
Underweight	47 (7,3%)	
Eutrophic	229 (35,7)	
Overweight	177 (27,6%)	
Obesity	188 (29,3%)	
Abdominal obesity	486 (77,0%)	
Achievement of therapeutic goals	 	
LDL-c	45 (7,8%)	
Non-HDL-c	57 (9,8%)	
Triglycerides	341 (58,6%)	
*Data in mean and standard deviation.

In the assessment of food intake, 49 individuals did not have a food record at baseline, therefore, the analysis of nutritional composition was carried out in 598 individuals. Inadequacies in the consumption of macronutrients, fiber, and micronutrients were observed, as described in Table 2.

Table 2 – Adherence to nutritional goals for secondary cardiovascular prevention in 598 individuals with cardiovascular disease treated in ten outpatient clinics specialized in cardiovascular health in eight states in the Northeast Region of Brazil

Variables	Results	Within Recommendations	
Calorie rate (Kcal/KgP)	24.7 (22.6 - 28.0)	111 (18.6%)	
Carbohydrates (%)	55.6 (10.6)	313 (52.3%)	
Protein (g/KgP)	1.0 (0.7 - 1.3)	424 (70.9%)	
Lipids (%)	24.6 (7.6)	232 (38.8%)	
Trans fatty acids (%)	0.02 (0.01 - 0.03)	598 (100.0%)	
Saturated fatty acids (%)	7.8 (5.7 - 10.6)	244 (40.8%)	
MUFA (%)	6.9 (5.3 - 8.7)	14 (2.3%)	
PUFA (%)	0.6 (0.5 - 0.8)	-	
Fibers (g)	16.5 (11.4 - 23.2)	134 (22.4%)	
Sodium (mg)	2,384.3 (1,720.6 - 3,180.6)	219 (36.6%)	
Potassium (mg)	2,037.0 (1,491.1 - 2,649.3)	2 (0.3%)	
Magnesium (mg)	182.2 (132.1 - 239.5)	24 (4.0%)	
Calcium (mg)	471.0 (271.7 - 757.1)	45 (7.5%)	
MUFA: monounsaturated fatty acids; PUFA: polyunsaturated fatty acids.

Tables 3 and 4 describe the prevalence of inadequacies in food consumption and prevalence reasons, according to gender, age group, and sociodemographic variables. The summary of the study findings can be seen in the Central Illustration.

Table 4 – Prevalence and gross prevalence ratios of inadequacies in the consumption of fiber, sodium, and saturated fatty acids, according to gender, age group, and sociodemographic variables, of individuals with atherosclerosis followed in ten reference cardiovascular health clinics in eight cities in the Northeast Region

Variables	Low fiber consumption	Sodium high consumption	SFA high consumption	
n	p (%)	PR	CI 95%	n	p (%)	PR	C I95%	n	p (%)	PR	CI (95%)	
Sex	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Male	210	71,9	0,87	0,79 - 0,95	213	72,9	1,34	1,19 - 1,52	176	60,3	1,04	0,91 - 1,18	
Female	254	83,0	1,0	 	166	54,2	1,0	 	178	58,2	1,00	 	
Elderly	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Yes	284	78,7	1,04	0,95 - 1,13	216	59,8	0,87	0,77 - 0,98	207	57,3	0,92	0,81 - 1,06	
No	180	75,9	1,0	 	163	68,8	1,0	 	147	62,0	1,00	 	
Education	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Lower	313	78,6	1,09	0,97 - 1,23	245	61,6	0,87	0,76 - 1,00	225	56,5	0,82	0,71 - 0,95	
Higher	95	72,0	1,0	 	93	70,5	1,0	 	91	68,9	1,00	 	
Social class	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Lower	331	78,4	1,09	0,96 - 1,23	266	63,0	0,94	0,81 - 1,10	244	57,8	0,86	0,73 - 1,00	
Higher	78	72,2	1,0	 	72	66,7	1,0	 	73	67,6	1,00	 	
SFA: Saturated Fatty Acids; PR: prevalence ratio; CI: confidence interval.

Table 3 – Prevalence and crude prevalence ratios of inadequacies in the consumption of calories and macronutrients, according to gender, age group, and sociodemographic variables, of individuals with atherosclerosis followed up in ten reference cardiovascular health outpatient clinics in eight cities in the Northeast Region

Variables	Inadequate calorie rate	Inadequate carbohydrate intake	Low protein intake	
n	p (%)	PR	CI 95%	n	p (%)	PR	CI 95%	n	p (%)	PR	CI (95%)	
Sex	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Male	230	78.8	0.94	0.87-1.01	140	47.9	1.01	0.86-1.20	71	40.8	0.72	0.56-0.93	
Female	256	83.9	1.00	 	145	47.4	1.00	 	103	59.2	1.00	 	
Elderly	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Yes	292	81.1	0.99	0.92-.,07	190	52.6	1.31	1.09-1.58	100	57.5	0.89	0.69-1.14	
No	194	81.9	1.00	 	95	40.1	1.00	 	74	42.5	1.00	 	
Education	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Lower	329	82.9	1.07	0.97-1.19	191	48.0	0.93	0.75-1.16	123	77.4	0.88	0.64-1.21	
Higher	102	77.3	1.00	 	59	44.7	1.00	 	36	22.6	1.00	 	
Social class	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	 	
Lower	350	82.9	1.08	0.97-1.21	203	48.1	0.91	0.71-1.15	129	81.1	0.91	0.65-1.27	
Higher	82	76.6	1.00	 	47	43.5	1.00	 	30	18.9	1.00	 	
PR: prevalence ratio; CI: confidence interval.

Discussion

In the present study, it was found that most individuals were highly inadequate in meeting the dietary goals established for secondary cardiovascular prevention. In other studies, relevant inadequacies in nutritional goals were also found, corroborating the results presented.23,24 Furthermore, it was found that elderly individuals had a greater inadequacy of carbohydrate consumption, those with higher education had a high consumption of SFA, in addition, men had a higher intake of sodium, and women had a greater inadequacy of fiber. These data draw attention, as individuals with these characteristics are likely to show low dietary adequacy. It is worth mentioning that dietary inadequacies may have influenced the failure to meet therapeutic goals related to lipid profile7, blood pressure,13 and glycemic control.15

The Sociedade Brasileira de Cardiologia and the American Heart Association recommend that the joint application of strategies related to drug and non-pharmacological therapy in the management of atherosclerosis is potentially beneficial.4,6,7 Previous studies have investigated the association of dietary patterns with recurrent cardiovascular events11,25 and that the adoption of healthy eating habits seems to act synergistically with the control of cardiovascular risk factors.26

“Atherogenic” food consumption, evidenced by the high consumption of SFA and sodium, predominated in the individuals studied. Evidence demonstrates possible nutrients identified as risk factors for CVD, including high consumption of sodium, SFA, trans fat,27 and refined carbohydrates.28 In contrast, reducing the consumption of foods that are sources of these nutrients has proven to be extremely important in the prevention and control of CVD.29

When analyzing the food intake of the studied sample, it was observed that few individuals were consuming the number of calories necessary for their nutritional status. The literature demonstrates possible factors that make it difficult to achieve nutritional recommendations, including socioeconomic issues,30 and lack of knowledge or poor adherence to nutritional guidelines.31

It is important to highlight that evaluating the quality of the diet is extremely relevant. In the present study, despite most individuals having a low-fat diet, a high consumption of SFA and a low intake of unsaturated fatty acids was observed, corroborating other authors.32 Studies have demonstrated that qualitative changes in the lipid composition of the diet seem to have beneficial effects in reducing cardiovascular events and mortality, although the results are conflicting.27 In a meta-analysis, conflicting results were observed from lipid-reduced diets and the replacement of SFA by PUFA.33 This can be attributed to the fact that the exchange of SFA for unsaturated fatty acids, in addition to reducing LDL-c, can reduce HDL-c, occurring more intensely when replacing SFA with MUFA.34

Among strata with higher education, the level of education is associated with greater SFA intake. Therefore, when analyzing education as an indirect measure of income, it is observed that individuals with a more favorable socioeconomic level have a higher prevalence of inadequate consumption of SFA, corroborating other authors.35 In this context, it is also worth highlighting that, in the present study, approximately 30% of the individuals had a low-protein diet. It is known that these foods usually have a higher cost and are less available among lower-income individuals.36

It was evidenced that a small proportion of individuals met the dietary fiber recommendation, a similar finding was found by other studies,23,37 possibly due to the adoption of unhealthy eating habits, low quality of carbohydrate intake,28 and high consumption of ultra-processed foods identified by high sodium consumption.37 Regarding differences in dietary fiber consumption between the sexes, women had a higher prevalence of inadequacy. Studies have shown that dietary fiber consumption reduces proportionally in the presence of worse socioeconomic conditions, which could justify the low consumption seen among women36. A meta-analysis demonstrated that fiber intake was associated with a beneficial reduction in total cholesterol, LDL-c, and diastolic blood pressure.38

High sodium consumption was higher among men, a finding similar to that of other authors.39 According to the Family Budget Survey (FBS), daily sodium consumption in Brazil is approximately 4,700 mg.40 Because sodium intake is considered an important marker of diet quality in secondary cardiovascular prevention, the need to apply prevention actions is reinforced, aiming to reduce sodium consumption.24

Still concerning food consumption, potassium, magnesium, and calcium are essential nutrients, which play an important role in preserving vascular tone and cardiac contractility.23 The consumption of these micronutrients in the present study was extremely low, which reflects the low quality of the diet, which can be justified by the inadequate consumption of foods that are sources of vitamins and minerals, in addition to the predominance of individuals with low purchasing power, favoring less access to a more varied and healthier diet.36

Among the limitations of this study, we can mention the lack of more accurate methods to assess nutritional status. However, BMI and waist circumference were assessed together to minimize this limitation. It is noteworthy that these indicators are low-cost and easy to apply in clinical practice. Furthermore, it must be considered that memory bias may have occurred, given that the R24H is an instrument dependent on the interviewee’s memory. The limitations of using this instrument lie in the fact that food intake on a single day may not reflect the individual’s usual diet. However, we believe that these individuals have low variability in food consumption since the sample is predominantly composed of individuals from lower social classes.

It is important to highlight that given the absence of specific recommendations for individuals with CVD, the adequacy of micronutrient intake was carried out based on the DRI. However, these recommendations were developed for a healthy, non-Brazilian population, so the findings should be analyzed with caution.

BALANCE Program is the first national study working on regionality and nutrition, relating them to cardiovascular health. It is noteworthy that the program is unprecedented in the country, as it considers the food culture of Brazilian regions. Adhering to healthy eating habits is a challenging and dynamic process for both patients and healthcare professionals.31 Given the success of the First Brazilian Cardioprotective Diet, a guidance manual for Primary Care health professionals41 was prepared by the Ministry of Health, with nutritional guidelines for individuals with cardiovascular risk factors.

Adequate dietary intervention allows for a better combination of multiple foods and nutrients, with cardioprotective properties in the secondary prevention of CVD. Therefore, it is important to encourage greater consumption of these nutrients, favoring better control of cardiovascular risk factors. It is worth highlighting the fact that this work is a regional study, aiming to provide relevant information to health professionals about the profile of northeastern individuals with CVD, as well as identifying factors that may influence nutritional adequacy in secondary cardiovascular prevention.

Conclusions

The results of the study indicated that most individuals did not achieve the dietary therapy goals recommended for secondary cardiovascular prevention, according to the Sociedade Brasileira de Cardiologia. Therefore, they had a diet low in fiber, micronutrients, and low nutritional quality, with a high intake of saturated fat and low intake of unsaturated fatty acids, all of which predisposed the occurrence of other cardiovascular outcomes. Excessive sodium consumption was identified, especially in males, which is a worrying factor, as these individuals, due to their very high cardiovascular risk, require lower amounts of this nutrient.

Acknowledgments

We greatly appreciate the participation of health professionals and volunteers from each participating center in Northeast Brazil.

Vinculação acadêmica

Este artigo é parte de dissertação de mestrado de Luciana Brito pela Universidade Federal da Bahia.

Aprovação ética e consentimento informado

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital do Coração (Hcor) sob o número de protocolo CAAE 03218512.0.1001.0060. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo.

Fontes de financiamento

O presente estudo foi financiado pelo Ministério da Saúde do Brasil, com base no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde e coordenado pelo Hospital do Coração (HCor).

Editor responsible for the review: Gláucia Maria Moraes de Oliveira

Potential conflict of interest

No potential conflict of interest relevant to this article was reported.

Study association

This article is part of the thesis of master submitted by Luciana Brito, from Universidade Federal da Bahia.

Ethics approval and consent to participate

This study was approved by the Ethics Committee of the Hospital do Coração (Hcor) under the protocol number CAAE 03218512.0.1001.0060. All the procedures in this study were in accordance with the 1975 Helsinki Declaration, updated in 2013. Informed consent was obtained from all participants included in the study.

Sources of funding

This study was partially funded by Ministério da Saúde do Brasil, com base no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde e coordenado pelo Hospital do Coração (HCor).
==== Refs
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