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10.36660/abc.20240081
Minieditorial
Índice de Imunoinflamação Sistêmica e Isquemia em Pacientes com Artérias Coronárias Não Obstrutivas
https://orcid.org/0000-0001-6746-8327
Bianco Henrique Tria 1
1 Universidade Federal de São Paulo São Paulo SP Brasil Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brasil
Correspondência: Henrique Tria Bianco • Universidade Federal de São Paulo – Rua Loefgren, 1350. CEP 04040-001, São Paulo, SP – Brasil E-mail: henriquetria@uol.com.br
09 4 2024
2024
121 2 e2024008111 2 2024
15 2 2024
15 2 2024
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License
Palavras-chave

Doença da Artéria Coronariana
Isquemia Miocárdica
Vasos Coronários
Dor no Peito
==== Body
pmcA doença cardiovascular é a principal causa de morte em todo o mundo e a doença arterial coronariana (DAC) é o tipo mais comum de doença cardiovascular. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes que apresentam desconforto torácico característico não demonstra DAC obstrutiva, definida como estenose ≥50% em pelo menos uma artéria coronária na angiografia. Esses pacientes geralmente recebem diagnósticos de afecções não cardiológicas, como distúrbios gastrointestinais ou de desordens psicossomáticas.1 Especula-se que a disfunção vascular coronariana parece ser a causa subjacente da isquemia em grade parte destes casos. Desta forma, a padronização dos critérios diagnósticos para sintomas isquêmicos devido à disfunção microvascular coronariana (DMV) é necessária para investigação adicional de pacientes que apresentam dor torácica anginosa consistente com "angina microvascular".2

Historicamente, os únicos métodos práticos disponíveis para avaliação têm sido invasivos, como o doppler intracoronário ou a termodiluição. Isto provavelmente prejudicou a avaliação objetiva da DMV em pacientes que apresentam dor torácica sem DAC obstrutiva. Assim, o tratamento tem sido frequentemente estudado em entidades clínicas imprecisas, como a síndrome cardíaca X.3,4 Além disso, a falta de consenso sobre critérios diagnósticos e nomenclatura obscureceu ainda mais as evidências que buscavam definir objetivamente a angina microvascular como uma entidade clínica distinta.5

No cenário e contexto das síndromes coronárias, há vários marcadores inflamatórios, como a proteína-C reativa (PCR), fator de necrose tumoral-α e várias interleucinas, que estão associados a um desfecho pior.6 Embora a inflamação sistêmica grave seja um indicador estabelecido de mortalidade na síndromes coronárias agudas (SCA), nenhum biomarcador inflamatório único é capaz de orientar o tratamento do risco cardiovascular.7 Por sua vez, índices hematológicos simples, como a relação neutrófilos-linfócitos (RNL) e a relação plaquetas-linfócitos, também são indicadores úteis e promissores para a estratificação acurada da doença cardiovascular.8 Nas SCA, a ativação descontrolada da imunidade inata e adaptativa converge com a ativação plaquetária, resultando na formação de trombos. O índice imunoinflamatório sistêmico (IIS), derivado das contagens de plaquetas, neutrófilos e linfócitos, combina os principais atores dessas vias fisiopatológicas, sendo descrito pela primeira vez como uma ferramenta prognóstica no carcinoma hepatocelular.9

O IIS foi relacionado com a extensão do dano miocárdico e essa relação provavelmente se deu por meio do tipo de SCA, com valores mais elevados deste índice em pacientes com infarto com Supra-ST (IAMCSST). Este achado está de acordo com estudos anteriores, cujos resultados demonstraram que, na ausência de necrose, a correlação da contagem de leucócitos com a mortalidade diminuiu.10,11

O manuscrito intitulado "A Relação entre o Índice de Imuno-Inflamação Sistêmica e Isquemia com Artérias Coronárias Não Obstrutivas em Pacientes Submetidos à Angiografia Coronária" investigou a relação entre isquemia em artérias coronárias não obstrutivas (INOCA) e o índice de imunoinflamação sistêmica (IIS) que trata da relação plaquetas × neutrófilos/linfócitos.12

Um total de 424 pacientes com idade média de 56 anos foram incluídos. Estes foram alocados em dois grupos de acordo com o diagnóstico de INOCA. Como resultado, observou-se que os pacientes com INOCA eram mais propensos a uma contagem mais elevada de plaquetas, relação neutrófilos para linfócitos, e valores de IIS. O valor de corte ideal do IIS para prever o INOCA foi 153,8, com sensibilidade de 44,8% e especificidade de 78,77%. O valor da AUC do IIS foi maior do que o dos linfócitos e plaquetas em pacientes INOCA.

Desta forma, a despeito de algumas limitações do estudo, os autores concluem que um IIS elevado pode estar associado ao aumento da atividade inflamatória. Desta forma, esse achado sugere que o IIS pode potencialmente ser usado para identificar e estratificar indivíduos de mais alto risco, ainda na admissão em unidades hospitalares.

Short Editorial
Index of Systemic Immunoinflammation and Ischemia in Patients with Non-Obstructive Coronary Arteries
https://orcid.org/0000-0001-6746-8327
Bianco Henrique Tria 1
1 São Paulo SP Brazil Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, SP – Brazil
Mailing Address: Henrique Tria Bianco • Universidade Federal de São Paulo – Rua Loefgren, 1350. Postal Code 04040-001,São Paulo, SP – Brazil E-mail: henriquetria@uol.com.br
Keywords

Coronary Artery Disease
Myocardial Ischemia
Coronary Vessels
Chest Pain
Cardiovascular disease is the leading cause of death worldwide and coronary artery disease (CAD) is the most common type of cardiovascular disease. However, a significant portion of patients who present with characteristic chest discomfort do not demonstrate obstructive CAD, defined as ≥50% stenosis in at least one coronary artery on angiography. These patients are generally diagnosed with non-cardiological conditions, such as gastrointestinal disorders or psychosomatic disorders.1 It is speculated that coronary vascular dysfunction appears to be the underlying cause of ischemia in a large proportion of these cases. Therefore, standardization of diagnostic criteria for ischemic symptoms due to coronary microvascular dysfunction (CMD) is necessary for further investigation of patients presenting with anginal chest pain consistent with "microvascular angina".2

Historically, the only practical methods available for assessment have been invasive, such as intracoronary Doppler or thermodilution. This probably hindered the objective assessment of CMD in patients presenting with chest pain without obstructive CAD. Thus, treatment has often been studied in imprecise clinical entities such as cardiac syndrome distinct.3,4 Furthermore, the lack of consensus on diagnostic criteria and nomenclature has further obscured the evidence that sought to objectively define microvascular angina as a distinct clinical entity.5

In the setting and context of coronary syndromes, there are several inflammatory markers, such as the C-reactive protein (CRP), tumor necrosis factor-α, and several interleukins, which are associated with a worse outcome.6 Although severe systemic inflammation is an established indicator of mortality in acute coronary syndromes (ACS), no single inflammatory biomarker is capable of guiding the treatment of cardiovascular risk.7 In turn, simple hematological indices, such as the neutrophil-lymphocyte ratio (NLR) and the platelet-lymphocyte ratio, are also useful and promising indicators for the accurate stratification of cardiovascular disease.8 In ACS, uncontrolled activation of innate and adaptive immunity converges with platelet activation, resulting in thrombus formation. The systemic immunoinflammatory index (IIS), derived from platelet, neutrophil, and lymphocyte counts, combines the main actors of these pathophysiological pathways, being described for the first time as a prognostic tool in hepatocellular carcinoma.9

The IIS was related to the extent of myocardial damage and this relationship was probably due to the type of ACS, with higher values of this index in patients with STEMI infarction. This finding is in line with previous studies, whose results demonstrated that, in the absence of necrosis, the correlation between leukocyte count and mortality decreased.10,11

The manuscript titled "The Relationship between the Systemic Immune-Inflammation Index and Ischemia with Non-Obstructive Coronary Arteries in Patients Undergoing Coronary Angiography" investigated the relationship between ischemia in non-obstructive coronary arteries (INOCA) and the systemic immunoinflammation index (IIS), which deals with the platelet × neutrophil/lymphocyte ratio.12

A total of 424 patients with a mean age of 56 years were included. These were allocated into two groups according to the INOCA diagnosis. As a result, it was observed that patients with INOCA were more prone to a higher platelet count, neutrophil-to-lymphocyte ratio, and IIS values. The ideal IIS cutoff value to predict INOCA was 153.8, with a sensitivity of 44.8% and a specificity of 78.77%. The AUC value of IIS was higher than that of lymphocytes and platelets in INOCA patients.

Therefore, despite some limitations of the study, the authors conclude that a high IIS may be associated with increased inflammatory activity. Therefore, this finding suggests that the IIS can potentially be used to identify and stratify higher-risk individuals, even upon admission to hospital units.

Minieditorial referente ao artigo: A Relação entre o Índice de Imuno-Inflamação Sistêmica e Isquemia com Artérias Coronárias Não Obstrutivas em Pacientes Submetidos à Angiografia Coronária

Short Editorial related to the article: The Relationship between the Systemic Immune-Inflammation Index and Ischemia with Non-Obstructive Coronary Arteries in Patients Undergoing Coronary Angiography
==== Refs
Referências

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